18/07/2026
Ação

Superman

Superman está em crise: sofreu sua primeira derrota, descobriu que seus pais o enviaram para dominar a Terra e não é mais tão amado pelas pessoas. Fora isso, seu rival Lex Luthor quer acabar com ele, como sempre. Nos cinemas.

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O título em uma palavra só, Superman, já deixa claro que não é “o retorno”, “o renascimento”, “uma nova aventura” ou qualquer outra coisa que dê a ideia de uma continuação. É um novo começo, sem, ao mesmo tempo, começar do zero. O longa escrito e dirigido por James Gunn começa com letreiros pontuais, recuperando a história do personagem na Terra, até que a última frase indica que, alguns minutos atrás, ele sofreu sua primeira derrota.

Mais do que mostrar o lado herói de Kal-El, o enredo se interessa por sua posição humana, sua capacidade de ter sentimentos e mesmo na possibilidade de não ser invencível. Embora estivesse sendo planejado e efetivamente filmado há algum tempo, o filme não poderia ser mais tópico. O protagonista é um imigrante tentando se integrar na sociedade estadunidense e lutando contra um bilionário megalomaníaco. 

Esses e outros temas trazem ao filme uma tonalidade política muito evidente, que já irritou os MAGAs, que acusam Gunn de tornar-se woke – ao se posicionar a favor de minorias e lidar com questões políticas, como se o protagonista, em sua essência não fosse um ser político. Para irritar ainda mais os detratores, há uma guerra entre dois países fictícios, Boravia e Jorharpur, na qual Superman (David Corenswet) interfere, gerando uma série de problemas geopolíticos e questões éticas internacionais. 

Tudo isso vem numa embalagem bastante bonita imageticamente, com cores e sons de dar gosto. Gunn combina uma estética nostálgica com um presente pós-moderno, em que os tempos se atropelam. A primeira metade parece uma série de vídeos do TikTok colocados um depois do outro, conectando-se apenas pela presença dos mesmos personagens. É um ritmo um tanto frenético que depõe contra o filme, até que ele se encontre de vez na tensão entre Superman e Lex Luthor (Nicholas Hoult), um bilionário que, clandestinamente, vende armas para um dos países em conflito.

Há também os elementos clássicos do personagem, como seu trabalho no Planeta Diário, como Clark Kent, e seu relacionamento com a colega Lois Lane (Rachel Brosnahan), que está ciente de sua identidade de herói. E, em cena, criando momentos fofos (e produtos para vender), o cachorro Krypto. Há a Gangue da Justiça (nome provisório, segundo seus membros) formada pelo Lanterna Verde (Nathan Fillion), a Garota-Gavião (Isabela Merced) e o Senhor Incrível (o excelente Edi Gathegi, que rouba a cena). 

Com uma quantidade enorme de personagens, Superman não encontra muito tempo para respirar, é um filme sempre em movimento, sempre com algo acontecendo, o que, no fundo, atrapalha os personagens e elenco na construção das tramas. A relação entre o protagonista e seus pais adotivos (Pruitt Taylor Vince e Neva Howell) é meramente esboçada, quando, no fundo, tem um papel fundamental na moral do personagem. 

Já os pais biológicos (Bradley Cooper e Angela Sarafyan) de Kal-el, que aparecem numa mensagem em holografia enviada com ele para a Terra são fonte de conflito. Até então, apenas a primeira parte era possível de ser assistida, com os pais dizendo que o filho deveria proteger a humanidade. A segunda parte é recuperada por uma funcionária de Luthor, e lá os kriptonianos dizem que o filho deverá governar a Terra e mandar nos humanos. E isso não só se torna um conflito de identidade para o Superman, como também desencadeia uma onda de medo contra ele e uma série de ataques nas redes sociais - algo que o afeta, mesmo que ele diga não se importar com a internet. 

Apesar de suas imperfeições, Superman é um dos melhores filmes da DC, que inagura uma nova fase nesse universo, em suas ideias extremamente atuais e sua feição alvoroçada. Gunn consegue o feito de revigorar essa figura criada no final dos anos de 1930, por Jerry Siegel e Joe Shuster, tornando-o pertinente para o presente. Resta saber se o público está interessado nisso tudo, ou só quer a fantasia heroica de um personagem que usa o calção por cima das calças. 

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