A começar pelo estranho título nacional, Cloud - Nuvem de Vingança, pouca coisa faz sentido no technothriller escrito e dirigido pelo japonês Kiyoshi Kurosawa. Yoshii Ryōsuke (Suda Masaki) revende produtos na internet sob o nome de Ratel fazendo altos lucros explorando consumidores ingênuos e ávidos por inutilidades compradas online. Na vida real, trabalha numa fábrica de roupas.
O esquema é lucrativo e serve para sustentar, também, o consumismo de sua namorada entediada, Akiko (Furukawa Kotone). Quando lhe é oferecida uma promoção no trabalho, Yoshi pede demissão, e até quando um amigo sugere uma parceria, ele não aceita. Pensando em ampliar seus negócios, muda-se para uma casa enorme e contrata um novo funcionário, Sano (Daiken Okudaira), que jamais poderá chegar perto do computador do patrão.
Por outro lado, possivelmente, clientes e fornecedores insatisfeitos estão buscando alguma compensação, conforme mostram alguns sinais, como um rato morto deixado na porta do seu apartamento. E, sendo investigado pelo esquema de bolsas falsas, não poderá pedir ajuda à polícia.
O prolifico Kurosawa não é exatamente conhecido por filmes que primem pela veracidade. Seu interesse reside mais nas dinâmicas que resultam em violência do que na construção de personagens e tramas. Mas aqui o cineasta se supera. Se numa primeira metade, Cloud é morno e confuso, ele não prepara para o choque que virá em sua última hora.
Com uma linguagem próxima ao videogame, o que faz todo sentido, o tiroteio final é impressionante em sua precisão, assim como na austeridade do diretor em criar uma longa sequência exasperante, na qual a violência se acumula a cada momento. Cloud - Nuvem de Vingança continua com o show de bizarrices típicas dos filmes de Kurosawa, sem, no entanto, ter o mesmo efeito de obras mais bem resolvidas, como Kairo e A Cura.
