A troca de corpos é uma estratégia bastante comum da comédia. Até o cinema brasileiro já se valeu disso com Se Eu Fosse Você (franquia cuja terceira parte acaba de ser anunciada). Nesse subgênero da comédia, Uma Sexta-Feira Muito Louca é um dos melhores exemplares – especialmente pela presença de Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, como mãe e filha que trocam de corpos e descobrem as dores e alegrias de ser a outra.
A sequência, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda, não mexe nos acertos do filme de 2003, e a química entre elas continua intacta, acrescida de novas complicações que vieram com a idade. Tess (Lee Curtis) é uma psicoterapeuta, dona de um podcast sobre criação de filhos, e avó! Anna (Lindsay Lohan) é uma mãe solo e produtora musical bem-sucedida.
Sua filha é a adolescente Harper (Julia Butters) jovem doce, mas rebelde, que vive os conflitos típicos da idade, que só pioram quando sua mãe começa a namorar o pai de sua inimiga na escola, Lily (Sophia Hammons) – as duas se odeiam. Quando Anna e o inglês Eric (Manny Jacinto) decidem se casar, a tensão entre as meninas só aumenta.
Ao contrário do primeiro filme, quando um biscoito da sorte no restaurante chinês promoveu a troca de corpos, aqui é uma vidente trambiqueira, vivida pela excelente comediante Vanessa Bayer, que sem saber promove a troca. Mas, dessa vez, as quatro trocam de corpos. Harper habita o corpo da mãe, e vice-versa, e Tess e Lily fazem a mesma troca. Tudo isso na sexta-feira antes do casamento de Anna e Eric.
Harper, uma surfista, não quer sair de Los Angeles, enquanto Lily, que perdeu a mãe, quer voltar para a Inglaterra. Juntas pensam num plano para acabar com o casamento de Anna e Eric – agora, habitando o corpo da mãe e da avó, talvez fique mais fácil mesmo cancelar a cerimônia.
Dirigido por Nisha Ganatra, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda serve, sem nenhuma surpresa, para promover valores familiares e a coexistência entre culturas e pessoas. É um filme da Disney, e ninguém iria esperar algo mais complexo ou revolucionário. Mas o filme cumpre bem aquilo a que se propõe, especialmente pela presença de Lee Curtis, que, claramente, está se divertindo mais do que qualquer outra pessoa do elenco, e atuando bem melhor do que em Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, que lhe rendeu um Oscar de coadjuvante.
