É quase irresistível chamar o protagonista de A Mensagem de Jequi, o pequeno Jequitinhonha (Kaique Santos Silva), de Chico Bento Quilombola, afinal, os dois vivem distantes de grandes centros urbanos e pregam a preservação da natureza. Mas o longa de Igor Amin tem suas próprias qualidades e não precisa estar à sombra do famoso personagem de Maurício de Sousa.
Mais conhecido como Jequi, o garoto vive no Vale do Jequitinhonha, em comunhão com o meio ambiente ao seu redor, porém um suposto progresso coloca em risco o meio-ambiente, sua vida e de seus amigos. Quando um forasteiro aparece convidando a todos e todas para uma reunião sobre possíveis mudanças na vila, o menino se torna uma espécie de liderança orgânica num movimento de resistência.
O roteiro, assinado por Adolfo Borges e Susane Meyer Portugal, prima por uma linguagem direta e lúdica para estabelecer contato com seu público-alvo, as crianças e, nesse sentido, encontra em Kaique o protagonista perfeito para o papel. Inteligente, carismático e divertido, ele consegue capturar corações e mentes com sua fala doce e sagaz.
Amin, por sua vez, faz um filme sincero e honesto sobre os desafios dos quilombolas em sua resistência contra a destruição ambiental e de seu povo disfarçada de progresso. A fotografia de Breno Conde aproveita bem a paisagem local, ajudando a estabelecer um tom poético mas nem por isso ingênuo. E nesse meio termo entra a poesia, a informação e a resistência que Jequi propaga com eficiência na sua mensagem.
