18/08/2026
Documentário

Neirud

Partindo de seu ponto de vista em primeira pessoa, a diretora Fernanda Faya busca a história de sua tia Neirud, uma lutadora de um circo, cuja vida, para a cineasta, era marcada pelo mistério.

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Talvez possa ser uma tendência ou um movimento – ou é cedo para dizer isso, mas dá para chamar, ao menos por enquanto, de Efeito Petra Costa. Uma voz doce narrando em primeira pessoa, colocando-se num documentário que acaba sendo sobre a diretora, mesmo que o título, Neirud, remeta à tia circense - como aconteceu com Costa em seu primeiro longa, Elena

Estreando em longa, Fernanda Faya começa contando sobre a câmera que seu pai comprou quando ela nasceu para filmar a família. Tia Neirud é tia por parte de pai, que é de uma família circense, uma figura querida e carinhosa, mas um mistério. O filme leva uns bons 10 minutos até se decidir que é sobre essa mulher, e não sobre a diretora – ainda que seja, involuntariamente, sobre a diretora, mais do que ela gostaria. 

É a voz, mais do que o olhar de Faya, que nos guia e impõe, de forma ainda que sutil, formulações e o que pensar. Neirud nos chega como uma figura pronta, mesmo que o filme tente a reconstruir cinematograficamente. Apesar de curto – pouco mais de uma hora –, o filme despeja informações históricas da família da diretora. “Tudo estava documentado”, diz a cineasta. “Mas e a tia Neirud, se ela era da família, porque ninguém guardou nada da memória dela?”. 

Não é bem assim, como veremos. Há material, e Faya parece surpresa ao encontrá-lo, embora ela já soubesse da existência de filmagens – afinal, o filme é construído a partir dessas imagens que são seu clímax. No fim, sabemos muito mais sobre a diretora e sua “família branca, nuclear, com casa própria” do que sobre essa mulher negra que dá nome ao filme. Não parece um documentário de busca, mas um documentário de apropriação. 

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