A certa altura em C.I.C.: Central de Inteligência Cearense, uma personagem feminina diz a alguns personagens masculinos do filme: “Vocês parecem meninos da 5a série”, apontando o humor rasteiro e um tanto grotesco deles. E o longa de Halder Gomes é, basicamente, isso: um menino da 5a série que dura pouco mais de 90 minutos – e que parece bem mais.
Apesar da referência ao Ceará no título e ter sido rodado totalmente no estado, pouco do filme, efetivamente, se passa no estado nordestino, e, também, não é muito que se é falado em português, uma vez que o longa é repleto de personagens hispanohablantes. Gomes, novamente, se une ao ator Edmilson Filho, para fazer uma sátira aos filmes de espião, com um protagonista chamado Wanderley, cujo codinome é Karkará.
Ele faz parte da agência fictícia do título, e sua missão é recuperar uma fórmula secreta que foi roubada na região da Tríplice Fronteira. Depois de estabelecer esse mínimo de trama, o filme segue uma sucessão de esquetes de humor que primam pelo exagero, seja nas atuações, nos diálogos ou na direção.
O filme, claramente, tem como objetivo destacar o Ceará, o que seria ainda mais interessante vindo de uma voz cearense, e não sudestina, mas o longa, roteirizado por Márcio Wilson, reforça os estereótipos negativos típicos. Há poucos momentos, realmente, exaltando o estado e seu povo, como um jogo o Fortaleza, no Castelão.
A sátira que C.I.C.: Central de Inteligência Cearense promete no começo dura pouco tempo, por não encontrar uma narrativa coesa em que se apoiar. Sem muito a oferecer e trazendo diversos personagens coadjuvantes com bordões e afins, o filme mais parece piloto de uma sitcom de ação.
