Em 1997, Princesa Mononoke tornou-se um fenômeno no Japão, e marcou uma mudança na trajetória do grande diretor de animações Hayao Miyazaki, cuja carreira ganhou fama na década anterior com filmes Meu Amigo Totoro e O Serviço de Entregas da Kiki, considerados fofos e visualmente impressionantes.
Foi com Princesa Mononoke que os filmes do Estúdio Ghibli, que ele fundara com Isao Takahata, ganharam nova fama. Passaram a ser mais complexos e sombrios, chegando a ganhar o Oscar de animação com o soturno A Viagem de Chihiro, tornando-se sucesso mundial para além da bolha dos fãs de animação.
A trama do longa se passa no período Muromach da história do Japão, e tem como protagonista o jovem príncipe Ashitaka. Ele é amaldiçoado por um demônio que ataca seu vilarejo, mas, seguindo os conselhos de uma anciã, ele vive uma jornada, ao lado de seu alce vermelho, em busca da redenção.
Isso serve como ponto de partida para o roteiro, assinado pelo diretor, que desconhece limites para a imaginação. Conflitos entre espíritos e humanos o levam a conhecer uma garota-espírito chamada San, a Princesa Mononoke do título, que jurou matar Eboshi, a mulher que lidera os humanos contra os espíritos.
Ashitaka percebe que as noções de bem e mal são mais complexas e com mais nuances do que possam aparentar. Há virtudes e defeitos de ambos lados, e, assim, Miyazaki cria uma ecofábula que ressoa até hoje, com ênfase no diálogo como forma de resolução de conflitos. Tudo isso é embalado numa animação impressionante em seus traços e cores, sem falar dos personagens inusitados criados pelo mestre nipônico.
