Com suas boas intenções, a comédia nacional Uma Mulher Sem Filtro quer militar, mas não sabe exatamente como. Assim, termina um tanto inócua e descolada da realidade, sem conseguir lutar por sua causa.
Escrito por Tati Bernardi, o filme é uma adaptação do original chileno de 2016, que ganhou diversas versões América Latina afora, mantendo sempre a mesma premissa, a de uma mulher que, cansada de ser humilhada e preterida, começa a falar e fazer tudo o que quer – estranhamente, uma ideia parecida com uma ficção científica estadunidense dos anos de 1980, Vítimas do Desconhecido, na qual, depois de um terremoto, as pessoas de uma cidadezinha passam a agir como querem.
A versão nacional é protagonizada por Fabiula Nascimento como Bia, jornalista de um portal sobre mulheres que faz tudo corretamente e não consegue dizer não a nada, e, por isso, as pessoas abusam de sua vontade. A gota d’água é a chegada de uma nova colega no trabalho, uma influencer que faz tutorial de maquiagem, Mari (Camila Queiroz), que se torna sua chefe.
No limite de sua paciência com o trabalho, com o marido (Emílio Dantas), com a irmã (Júlia Rabello) e a vizinha (Luana Martau), ela não sabe o que fazer. Até que Mari lhe sugere uma visita a uma mística, Deusa Xana (Polly Marinho), que, com um tratamento esotérico que parece deixá-la sob comando de seu id. Tudo o que pensa ela fala, e acaba brigando com todo mundo por conta de seu comportamento agressivo.
Dirigido por Arthur Fontes, essa é uma comédia sem timing. As piadas morrem antes de atingirem seu clímax, confiando-se demais no desbocamento e na revanche de Bia contra aqueles que lhe fizeram mal. O discurso de empoderamento é a muleta dessa comédia que – excetuando uma referência a Estômago – nem boas piadas tem. Restam a Julia Rabello e Luana Martau os melhores momentos, por terem um tino para comédia que independe do filme.
