O que pode haver de interessante na franquia Invocação do Mal é como, bem, os filmes tentam invocar o espíritos dos terrores dos anos de 1970, mas em seu (suposto) derradeiro exemplar, Invocação do Mal 4: O Último Ritual, nem isso, afinal a trama se passa nos anos de 1980. Não seria a priori, um problema, mas o excesso de pontas, e falta de qualquer cuidado em trazer algo de novo transforma o resultado em algo que não vai além do genérico.
Pode ser culpa dos grandes terrores recentes – Pecadores e A Hora do Mal – que nos deixaram mal acostumados mostrando que o gênero pode ir muito além de sustos e sangue, mas o longa de Michael Chaves se contenta com pouco, muito pouco, apenas seguindo a cartilha estabelecida pela franquia.
Como todo mundo está cansado de saber Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) são um casal de pesquisadores de ocorrências paranormais. Todos os demônios e espíritos que derrotaram – incluindo a famosa boneca Annabelle – ficam numa espécie de museu no porão de sua casa. Agora, no entanto, querem se aposentar, e, ufa, pode ser um sinal de que não haverá mais filmes protagonizados por eles – embora ainda seja muito cedo para comemorar fim de possíveis spin-offs, como um novo Annabelle ou A Freira.
Enquanto planejam o que farão dessas férias, uma casa numa pequena cidade da Pensilvânia é atazanada por espíritos ou demônio que quer acabar com a pacata família de oito pessoas que vivem lá. Apesar do caso ter tomado proporções nacionais, dominando a imprensa, Ed e Lorraine fingem que nada está acontecendo, e se concentram em cuidar de sua filha Judy (Mia Tomlinson), que, aos 20 e poucos anos, compartilha dos dons dos pais, e pensa em se casar com um ex-policial, Tony (Ben Hardy).
Depois de muita, mas muita, enrolação do roteiro de Ian Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick, finalmente Judy resolve ajudar a família que está sendo aterrorizada por um espelho antigo (!), que já causou muitos danos à vida de Ed e Lorraine (!!).
A demora até que o encontro entre as duas tramas aconteça faz do filme um espetáculo enfadonho, de sustos baratos e sangue escorrendo para todo lado. Um dos poucos bons momentos fica por conta de uma boneca do inferno, e o resto é mais do mesmo. É trama e personagem demais para se dar conta, nada soa muito coerente ou convincente. Mas, que, finalmente seja o último Invocação do Mal, e que Ed e Lorraine tenham o merecido descanso – e o público também.
