Na platéia, personalidades como os irmãos Baldwin, Kevin Costner, Vin Diesel, Sylvester Stallone, Steven Seagal, entre outros, se contorcem de inveja. "Ninguém acreditava, mas consegui provar que sou o pior. Obrigado a todos!", agradece Dancy.
A cena é fictícia, mas o exercício de imaginação é essencial para avaliar a qualidade do filme Dicionário de Cama. Logo no início, um par de araras tropicais passeia feliz por entre as árvores que escondem o céu azul. Se, por alguma distração atribuída às pipocas, esse espetáculo da natureza passou despercebido, a fita dá outra chance ao espectador para apreciar o colorido intenso das aves.
Um pouquinho mais de boa vontade e podemos voltar aos anos 30 e nos deslocarlivremente por alguma floresta da Malásia, colônia inglesa na época. Por ali, recém-saído da universidade, encontramos Truscott (Dancy), jovem escolhido para ajudar Henry Bullard (Bob Hoskins) a administrar a região.
Como bom filho que é, o rapaz espera implementar o programa de ensino que seu pai, oficial morto em batalha, idealizava para os nativos. Mas a realidade vai ao encontro do jovem que, mesmo a contragosto, se vê ao lado da bela Selima (Jessica Alba, do seriado Dark Angel). A moça tem de desempenhar as funções de esposa de Truscott, enquanto lhe ensina a língua nativa.
Apesar do turbulento começo, a relação deslancha depois que o rapaz cede aoscaprichos de suas glândulas hormonais. Então, acontece o que ninguém podia prever: o casal se apaixona. E eles viveriam felizes para sempre não fossem os impecílhos sociais colocados por Henry e pelo chefe da tribo da pobre moça. Ao espectador cabe a mortal dúvida se, ao final, tudo vai dar certo na vida dos pombinhos.
Além das histórias do "peixe fora d´água que encontra seu espaço" e do"amor proibido a la Romeu & Julieta", com um pouco de atenção o espectador pode encontrar um par mais de clichês escondidos na trama. Mas Dicionário de Cama também tem seu lado surpreendente. Alguns dos personagens são imprevisíveis e tomam atitudes que nem mesmo suas próprias mães poderiam supor. Ah, o final é feliz, ou melhor, a felicidade vem quando o filme chega ao fim.
