A série Pequenos Espiões conseguiu em pouco mais de três anos tornar-se não apenas referência em entretenimento juvenil, mas também ícone da união entre a tecnologia e o cinema. Com uma história razoavelmente simples, de crianças espiãs, as produções foram excepcionalmente elogiadas pela crítica, e o público compareceu em massa nas salas de projeção, quebrando recordes de bilheterias da época e ainda catapultando o diretor Robert Rodriguez (El Mariachi) para o rol dos cineastas versáteis e criativos. Por isso mesmo, em um misto de ansiedade e preocupação, esperou-se mais um ano pela finalização da trilogia. Apreensão somada, é bom dizer, pelo anúncio do filme ser inteiramente elaborado em 3D. E, este ano, Pequenos Espiões 3 D finalmente chega para mostrar, mais uma vez, como Rodriguez fez sua lição de casa para criar uma riqueza digital comparável às produções de George Lucas e seu pequeno exército da fazenda Mecca SkyWalker. No entanto, o que poderia ser mais um estrondoso sucesso, cai em um emaranhado de complicações que poderão desiludir os fãs da série. Por mais que o filme realmente seja em terceira dimensão, dando medianamente a impressão que os objetos poderão atravessar a cabeça dos espectadores, a trama é quase inexistente. Não que os seus predecessores fossem histórias muito profundas ou complexas, ao contrário, mas, pelo menos, o desenrolar era lógico e razoavelmente aceitável (mesmo para as experiências lúdicas de uma criança). Aqui, o pré-adolescente Juni (Daryl Sabara), que havia se aposentado no segundo filme, é chamado de volta ao serviço secreto para resgatar sua irmã, presa (pelo menos em mente) dentro de um vídeogame. O jogo em questão foi criado pelo vilão Toymaker (Sylvester Stallone) para controlar os pensamentos das crianças e dominar o futuro. Desta forma, Juni deve entrar no jogo, com o apoio de seu avô (Ricardo Montalbán) e um grupo de jogadores que estão presos nesse mundo virtual, para não apenas resgatar sua irmã, mas impedir as ambições do vilão. Ao seguir por esse caminho, porém, o filme perde toda a sua consistência e se reduz a uma seqüência de ação de um videogame comum. Aí surge a pergunta: não era esse o ideal? Embora a resposta seja positiva, não se pode negar que todos os jogos, mesmo os do antigo Atari, possuem tramas que motivam seu jogador a continuar em frente ao monitor. Em Pequeno Espiões 3 D, porém, o desenrolar da história é um desastre, sustentado apenas por corridas de veículos exóticos, lutas entre robôs, entre outros detalhes. Mas o pior realmente é a missão final: chegar ao lendário "Nível 5", que nenhum jogador ainda chegou, para derrotar o maligno Toymaker. A fase não tem a menor explicação e parece ter sido escrita às pressas por um disléxico. Vale ressaltar o fato que estamos falando do desfecho da produção. Além de estranho, chega a ser irritante. Mesmo assim, há três coisas que podem levar curiosos ao cinema. A primeira, claro, é o filme se passar em 3D (embora seja realmente cansativo). A segunda, é a participação de inúmeras estrelas de Hollywood, entre elas George Clooney, fazendo uma hilária imitação de Sylvester Stallone (vale a pena também ver o ator, que, de tão ruim, chega a ser cômico). Por último, é bom esperar os créditos e ver os erros de gravação, em especial Mr. Stallone decorando seus diálogos.
