26/08/2026
Drama

Maria, Mãe do Filho de Deus

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O diretor Moacyr Góes, consagrado no teatro carioca, junta-se agora ao reduzido clube dos cineastas brasileiros, com duas estréias praticamente simultâneas nos cinemas. Depois de Dom, levemente inspirado em Dom Casmurro, de Machado de Assis, chega às telas Maria, Mãe do Filho de Deus, um filme religioso, escorado num elenco global, encabeçado pela bela Giovanna Antonelli, e com o carisma do padre paulista Marcelo Rossi, um dos líderes do movimento de renovação por que passa a Igreja Católica brasileira.

Dois filmes tão distintos na história e concepção e tão semelhantes no resultado final. Em Dom, um cenário moderno com um casal em crise, e em Maria, uma pausa religiosa com o enaltecimento dos valores cristãos, os mesmos que o casal anterior estaria ignorando.

No caso de Maria fica difícil imaginar onde começa o filme e onde termina o marketing religioso. Ou até que ponto as mãos de Góes não são na verdade as mãos postas do padre em busca de arrebanhar mais cordeiros para o seu rebanho, num momento em que carismáticos católicos e evangélicos duelam pela hegemonia dos cristãos. Tanto que o próprio bispo Fernando aparece numa cena, completamente desnecessária, só para dizer como é bela a história de Jesus.

Realmente é bela e emocionante a história do Messias, vista pelas lentes de Martin Scorsese ou mesmo pelas de Moacyr Góes. Se Scorsese buscava uma aura mais humana e atormentada para um personagem tão crucial para a história da humanidade, Góes se contenta com o Cristo do catecismo carismático, com discurso simplificado para atingir o maior número possível de pessoas. Não existe paixão, não existe tormento. Com forte sotaque carioca, junto com todo o seu séquito de discípulos, o Jesus de Góes se parece mais com um surfista ipanemense convocando sua galera para pegar uma onda depois da estafante tarefa da multiplicação dos peixes.

Aliás, todo o Novo Testamento parece ter saído das areias escaldantes da Zona Sul, de Pedro a Judas, passando por Maria, a bela e esforçada Giovanna Antonelli, que passa o filme todo debulhada em lágrimas.

Mas vamos a um pouco de história. No roteiro de Moacyr Góes, Giovanna é Maria, cuja filha, a pequena Joana, desenganada pelos médicos, adora ouvir histórias. Elas moram num vilarejo pobre. Maria é viúva e só lhe resta a frágil criança, que parece também prestes a partir.

Para poder ir ao médico buscar um exame, Maria deixa Joana na companhia do cura do vilarejo, nosso conhecido padre Marcelo, o ícone pop da Igreja. Sempre sorridente, o padre propõe à menina contar uma história interessante sobre a mãe de Jesus. Na fantasia da criança, sua mãe é a própria mãe de Cristo e o povoado onde vive se transforma na Jerusalém bíblica, com todos os seus habitantes nos papéis de familiares, amigos ou inimigos de Jesus. O próprio padre é visto pela menina como o anjo da Anunciação.

Nascimento, vida e morte de Jesus são resumidos pelo padre Marcelo numa visão simples para a compreensão de todos. Naturalmente quando a mãe de Joana retorna e a história termina, ela trará boas novas sobre a situação médica da filha. Tudo com muita Ave Maria de Gounot e canções do próprio padre Marcelo. Naturalmente foi lançado um CD com as composições.
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