03/06/2026
Suspense

O Frio da Morte

Uma viúva que viaja ao Lago Hilda, no remoto norte de Minnesota, para espalhar as cinzas do marido, se perde numa nevasca. Ao buscar ajuda, encontra uma jovem mantida em cativeiro por um casal armado. Nos cinemas.

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Não fosse a presença de Emma Thompson, O Frio da Morte poderia ser um suspense banal com boa fotografia lançado diretamente em streaming, mas a atriz o eleva acima de uma fina camada de gelo que sustenta a narrativa. Seu carisma inegável é usado em uma personagem que passa por um momento de dor e precisa se tornar uma espécie de salvadora. 

Barb (Thompson) perdeu o marido há pouco, ainda lida com o luto e tem uma missão especial: espalhar as cinzas dele num lago congelado onde tiveram o primeiro encontro. Em sua caminhonete, com seu equipamento de pesca e uma latinha com as cinzas do marido, ela atravessa quilômetros numa paisagem gélida, muito bem fotografada por Christopher Ross. O filme foi rodado na Finlândia, embora a trama se passe em Minnesota.

O roteiro de Nicholas Jacobson-Larson e Dalton Leeb não nomeia os personagens. Descobrimos os nomes ou apelidos apenas nos créditos finais. É como se isso reforçasse o caráter anônimo de cada um, numa história comum com pessoas comuns presas a uma série de incidentes pouco banais. Por isso, quando ele encontra um sujeito barbudo (Marc Menchaca) nada parece fora do ordinário – mesmo as manchas de sangue no gelo perto dele, que ele diz ser de um cervo.

Ela pede direções e ele explica como chegar ao lago e tudo dá certo. Ela passa momentos ternos lá, lembrando-se do passado, mostrado em flashbacks, nos quais a personagem é interpretada pela filha de Thompson, Gaia Wise. É só na volta que ela nota algo estranho na casa do sujeito. No porão, como vê pelas janelas, há uma jovem (Laurel Marsden) amarrada e amordaçada. 

Contra o bom-senso, a protagonista resolve que irá salvar a garota sozinha, já que seu celular nem sinal tem ali. Mas, o sujeito barbudo nem é a pior pessoa no cenário. A mulher dele (Judy Greer) tem feições ainda mais alucinadas e um pirulito de fentanil (às vezes, dois), na boca o tempo todo, garantindo que o opióide esteja em seu corpo em tempo integral. 

A direção de Brian Kirk se concentra na luta dessas personagens pela sobrevivência. Thompson é o centro disso, mas não deixa de ser interessante como três figuras femininas estão à frente da batalha de horrores na neve. O homem barbudo é mero coadjuvante quando sua mulher se mostra ainda mais potente e má do que ele. E, mesmo a jovem sequestrada, não é a vítima típica. Tudo isso é armado de forma bastante tensa numa narrativa de suspense crescente, de forma eficiente dando um destino heroico à inesperada heroína. 

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