18/07/2026
Drama

Aos Treze

post-ex_7
O cheiro de uma realidade nova e urgente, vivida por alguém muito próximo - sua ex-enteada - foi o que inspirou a americana Catherine Hardwicke a dirigir seu primeiro filme, Aos Treze - um soco no estômago do espectador, ao lançá-lo numa infernal ciranda de autodestruição, tráfico de drogas e sexo irresponsável que arrasta um grupo de adolescentes de classe média na faixa dos 13 anos. Um dos detalhes mais notáveis é que as duas protagonistas, Tracy (Evan Rachel Wood) e Evie (Nikki Reed, co-roteirista junto com a diretora) são lindas como modelos, não correspondendo à imagem-chavão das mocinhas drogadas esqueléticas e pálidas inspiradas pela protagonista de Christiane F., o filme que na década de 1980 abalou a noção de que tudo era cor-de-rosa no planeta teen.

Da mesma forma, este trabalho de Catherine Hardwicke, experiente diretora de arte de filmes como Vanilla Sky (2001), atinge em cheio a consciência dos adultos, mantidos à parte do universo adolescente. Afetados por um profundo mal-estar, provocado em parte pelo distanciamento de pais cada vez mais mergulhados no trabalho, na luta pela sobrevivência ou no puro egoísmo, estes garotos traçam as fronteiras de um território em que, fascinados pelo consumo, não hesitam em fazer qualquer coisa para obter dinheiro, nem que seja roubar e traficar drogas, tudo isso para comprar roupas de grife - traço inexistente nos meninos de duas ou três gerações atrás.

Uma das principais convidadas internacionais do Festival do Rio 2003, Catherine explicou que seu desejo de escrever este roteiro com Nikki Reed, de quem foi madrasta entre os 5 e os 9 anos, surgiu naturalmente do relacionamento entre as duas, que foi mantido depois do rompimento com o pai de Nikki. A garota, que hoje tem 15 anos, interessou-se por atuar e, finalmente, escrever este roteiro, cuja primeira versão foi feita em apenas seis dias por ela e a diretora, nos feriados do Natal de 2001.

A força e a brutalidade de certos episódios relatados por Nikki, vividos diretamente por ela ou por seus amigos, convenceu a diretora de que tinha de filmar a história, que sentiu que havia ali algo novo e urgente. O grau de veracidade das situações, algumas de extrema violência, embora bastante próximo da realidade, recebeu adaptações. A própria Nikki não encarna o próprio papel. Na vida real, foi ela a garotinha inocente levada a comportamentos extremos por uma amiga a quem admirava no colégio. No filme, esta garota é interpretada pela angelical Evan Rachel Wood, enquanto Nikki interpreta a sua corruptora - ela mesma vítima de um lar desfeito e de um grande abandono, apesar de não sofrer nenhum tipo de miséria material.

O filme, que estreou há pouco nos EUA, já levou premiações em Sundance (melhor direção) e Locarno (melhor atriz para Holly Hunter, que interpreta a mãe de Tracy). Mas o mais importante para a diretora é que este trabalho seja visto pelos pais e especialmente pelos adolescentes.

post