“Dizem que não existe nada pior do que perder um filho, talvez exista”, fala Lisa (Lauren Graham), uma mãe que perdeu há pouco um de seus filhos gêmeos Rocky (Dylan O'Brien), num acidente de carro que abre o filme Twinless – Um Gêmeo A Menos. Ela e o outro filho, Roman (também O'Brien), navegam as águas do luto de maneiras diferentes. Ela se fecha em si mesma, enquanto o rapaz procura ajuda num grupo de apoio a gêmeos que perderam o irmão ou a irmã.
O filme é escrito e dirigido por James Sweeney, que é também um dos protagonistas, Dennis, a quem Roman conhece no grupo de apoio, onde os dois tentam lidar com a perda dos irmãos. A combinação de drama e humor ácido – às vezes, assumidamente, fora de lugar – faz do longa um dos típicos exemplares do cinema independente estadunidense. Não à toa, estreou no Festival de Sundance, no qual recebeu elogios praticamente unânimes.
Sweeney assume o personagem mais complicado do filme: um jovem gay e cheio de atitude – beirando a arrogância – que se torna amigo de Roman, enquanto passam juntos pelo mesmo sofrimento. Fosse apenas um bromance sobre gêmeos que ficam amigos depois da perda do irmão, Twinless já teria muito a dizer, mas o longa inclui algumas reviravoltas que começam logo aos 20 minutos, depois dos créditos iniciais.
O que acontece na trama depois disso deve ficar em segredo, pois os caminhos que Sweeney escolhe são realmente inesperados. É o tipo de filme que quanto menos se souber antes de assistir, melhor. Mas vale dizer que o caminho emocional seguido pela narrativa é bastante sincero e possível de acontecer – por mais improvável que possa parecer num primeiro momento.
Interessa ao diretor o que há de mais profundo em seus personagens e como transitam no caminho de se transformar a partir da perda. Roman é o oposto de seu irmão, que era um rapaz simpático, divertido e sedutor. Roman é naturalmente fechado e tem dificuldade em expressar seus sentimentos – e isso é independente do que esteja passando. Dennis, por sua vez, usa o sarcasmo como um verniz de proteção por sua fragilidade.
Flashbacks dão conta do passado recente de Rocky, o que permite a O’Brien duas performances completamente distintas. E o que com um ator menos talentoso poderia não passar apenas de clichês, aqui delineia muito bem a personalidade dos dois irmãos. Outra que se destaca no filme é a irlandesa Aisling Franciosi, como Marcie, colega de trabalho de Dennis que tem tudo sob comando, que sabe as respostas para tudo. Ela seria mais uma personagem insuportável não fosse a delicadeza com que é tratada dentro do filme, e pela atuação sensível de Franciosi.
