Vencedora de um Oscar em 2015 pelo documentário Citizenfour e do Leão de Ouro em 2022 pelo filme All the Beauty and the Bloodshed, a diretora norte-americana Laura Poitras entrou na programação de Veneza 2025, fora de competição, com outro documentário vibrante, Seymour Hersh - em busca da verdade.
Perfilando a figura do célebre jornalista investigativo norte-americano Seymour Hersh, a cineasta explora os bastidores de inúmeros escândalos políticos nos EUA, da Guerra do Vietnã à de Gaza, passando por Watergate, a partir do trabalho incansável deste repórter, hoje com 88 anos.
Vencedor de um prêmio Pulitzer em 1970 por sua implacável denúncia dos massacres de civis por tropas americanas no Vietnã, Sy Hersh, como é chamado, é o fio condutor deste processo em que o filme expõe a maneira sistemática como governos dos EUA procuraram encobrir os crimes cometidos pela CIA e o Departamento de Estado - e que jornalistas como Sy têm ajudado a desmascarar.
Laura não deixa de incluir no filme alguns conflitos com Sy, um personagem de personalidade aguerrida que, num determinado momento, insatisfeito com o rumo de algum detalhe, decide deixar de participar do filme - impasse que depois é superado. A própria vida profissional de Sy, no entanto, é um verdadeiro manual de como os EUA praticaram seu imperialismo sistemático sobre nações como o Vietnã, o Iraque e outras - hoje, com seu apoio e também omissão, permitindo o massacre de civis em Gaza por seu aliado, Israel.
Integrante da pré-lista do Oscar 2026 em sua categoria, o documentário de Laura Poitras é não só uma aula de jornalismo e de política como de cinema também. Laura é uma das melhores profissionais da área em atividade neste momento e nos revela por inteiro o retrato de uma pessoa fundamental, Sy Hersh - um repórter incansável como não há muitos em ação hoje em dia.
