27/07/2026
Comédia Fantasia

A Useful Ghost - Uma Ajuda do Além

March é um jovem viúvo, herdeiro de uma fábrica de aspiradores, numa cidade assolada por nuvens de pó - que foram, aliás, a causa da morte de sua bela esposa, Nat. Inconsolável, ele descobre que Nat voltou à vida, reencarnando num aspirador de pó falante e desenvolto - uma situação que desencadeia inúmeros incidentes. Na Mubi.

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Fantasmas são habituês no cinema tailandês - basta lembrar de Apichatpong Weerasethakul e o premiado Tio Boonmee, Que Pode Recordar suas Vidas Passadas (2010), em que eles convivem livremente com os vivos, sem fronteiras. Com a mesma desenvoltura, eles ocupam de maneira toda singular A Useful Ghost - Uma Ajuda do Além, longa de estreia do diretor Ratchapoon Boonbunchachoke, que venceu o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes em 2025.

Com a coragem peculiar aos jovens, o diretor, também corroteirista (ao lado de Geoffroy Grison), arrisca-se a misturar na mesma história fantasmas bons e maus, aspiradores de pó, poluição, terríveis condições de trabalho, interferências familiares e preconceitos contra a homossexualidade. Para isso, não teme flertar com o cômico-grotesco, ao reencarnar a falecida esposa de um jovem herdeiro num aspirador de pó.

A falecida é a bela Nat (Davika Hoorne), morta pelos efeitos da mortal poeira que paira sobre a cidade, deixando inconsolável o marido March (Wisarut Himmarat), herdeiro justamente de uma fábrica de aspiradores, cujo negócio prospera por conta dessa incontrolável poluição. 

A fábrica mesmo está sendo assolada pela presença de outro fantasma, Krong (Wanlop Rungkumjad), cujas fulminantes aparições denotam um visível desejo de vingança contra os patrões, que o exploraram, arruinando sua saúde. E aí a volta de Nat parece vir a calhar como possível interventora do além para sanear esta situação.

O lado romântico aparece dentro desse quadro levemente bizarro com as interações entre March e Nat, agora transformada num aspirador de pó falante e capaz de gestos inimagináveis - exceto na fantasia desatada nesta história singular, que tem grande potencial de desastre, mas o evita com uma certa contenção e suavidade que em alguns momentos flerta com a melancolia e um toque mesmo de poesia. 

Que o diretor está disposto a falar também da homossexuailidade fica claro a partir da sequência inicial, que mostra um chamado “ladyboy” (Wisarut Homhuan) comprando um aspirador e chamando um reparador (Wanlop Rungkumjud) quando este apresenta um defeito. O reparador é também um hábil contador de histórias que desata o fio condutor da narrativa de maneira bastante eficiente, à qual o toque fantástico nunca deixará de faltar. 

Outro aspecto que se infiltra na história é o peso das relações familiares. A viúva que herdou a fábrica de aspiradores (Thityanan Phoungbut), mãe de March, enfrenta descrédito e pressão dos demais parentes e tenta exercer também uma influência dominadora sobre o filho quando este se obstina pela mulher morta. Esse nível de interferência e palpites, aliás, lembram muito os que acontecem em outros continentes - família só muda de endereço e de língua. 

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