Produto do atual estágio da globalização contemporânea, Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu transforma os famosos gato e rato em coadjuvantes de luxo num filme que leva seu nome e se passa na China, destacando mitos e lendas da cultura local. Isso sem mencionar o equivocado título que deram no Brasil, uma vez que a aventura nem se dá num museu (apenas o começo e o final são nesse local), mas devem ter achado que um subtítulo do tipo Uma Aventura na China poderia parecer que a dupla foi cooptada – o que é mais ou menos o caso aqui.
Dirigido por Gang Zhang, o longa coloca em segundo plano a histórica desavença entre Tom e Jerry, que completam 85 anos de sua estreia na televisão em fevereiro. Não sendo uma sequência do live-action de 2021, o novo filme se concentra nas novidades, ou seja, a viagem no tempo e espaço, na qual a dupla viaja para a China do passado. Tudo é narrado de maneira hiperativa, sem muito tempo para que as coisas aconteçam de forma orgânica, ou que hajam as clássicas perseguições do gato atrás do rato.
Com uma estética claramente chinesa, o filme se concentra em narrar histórias e mitos do país, garantindo sucesso com o público local. A trama caótica abre mão da dinâmica clássica da dupla e do humor já consagrado para se arriscar por outros caminhos que simplesmente traem os personagens, que parecem colocados aleatoriamente num filme que não é deles.
Fora isso, há números musicais na tal Cidade Dourada onde se passa a trama. As músicas não deveriam fazer parte do filme, pois cortam o fiapo de trama, distraem da narrativa e são ruins. A animação, por sua vez, que poderia ser o ponto alto, também não tem nada a ver com Tom e Jerry, com um colorido exagerado e cansativo. Enfim, não é um filme de nostalgia para fãs. Talvez agrade crianças que não conhecem – e nem irão conhecer aqui – os personagens.
