18/07/2026
Comédia Terror

Socorro!

Linda Liddle é uma funcionária competente, mas ridicularizada por seu novo chefe, que dá uma promoção a um amigo, quando, na verdade, ela deveria ter subido de cargo. Quando acaba presa numa ilha deserta com o novo superior, ela decide dar o troco.

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Se o Sam Raimi dos primeiros filmes fizesse uma adaptação de A Lagoa Azul, seria basicamente o que Socorro!, seu novo longa, é. Saem de cena a descoberta do amor e o amadurecimento, que são substituídos por sangue e vísceras nessa sátira ao mundo corporativo.

O diretor pode ser mais conhecido por sua trilogia do Homem-Aranha (2002-2007), mas os longas não fazem justiça à sanguinolência trash pela qual o cineasta tem tanto apreço. Arraste-me para o inferno está mas próximo do interesses de Raimi do que os longas do herói aracnídeo – o que não quer dizer que sejam ruins, pelo contrário. Mas Socorro!, por exemplo, permite que ele exercite com gosto seu músculo de nojeiras cinematográficas. 

Rachel McAdams é Linda Liddle, funcionária competente de uma empresa mas que é ostracizada por não se vestir bem. Usa roupas largas, é desengonçada, mas tem bom coração. Isso não impede que seja solitária, tendo apenas a companhia de seu passarinho. Seu novo chefe, Bradley Preston (Dylan O'Brien), é um nepobaby. Filho do falecido dono, ele acaba de promover à vice-presidência seu amigo de faculdade e de golfe. Um cargo que havia sido prometido a Linda pelo antigo patrão. 

Quando ela reclama, Preston a demite mas, antes de encerrar o contrato, precisa dela para uma reunião em Hong Kong. Afinal, ela é a única pessoa dentro da empresa que conhece bem o assunto do encontro. No voo partícular rumo à Ásia, estão apenas Linda, Preston e outros três executivos amigos dele, que também zombam dela – especialmente quando descobrem um vídeo que Linda usou para se inscrever num reality de sobrevivência.

Quando o avião cai e Linda e Preston são os únicos sobreviventes, as habilidades dela se tornam primordiais. Não demora, e o filme escrito por Damian Shannon e Mark Swift inverte a lógica do escritório. Agora quem manda é Linda, especialmente porque o antigo chefe está imobilizado por ter machucado o pé. Se no começo ela é prestativa e atenciosa, com o tempo isso fica para trás. 

Fosse feito umas décadas atrás, Socorro! se transformaria numa comédia romântica em que cada um dos personagens descobre coisas sobre o outro e se apaixona, mas este não é o caso na era do cinismo. 

Raimi não tem dó de esculachar a elite, em ridicularizar Preston e nos fazer odiá-lo sem dó. Mas, nesse jogo, o longa acaba perdendo um pouco do fôlego ao longo do caminho, apesar das inúmeras reviravoltas e do humor bem pontuado, além de atuações excelentes da dupla central. 

Embora muito do filme lembre o premiado O Triângulo da Tristeza, Raimi vai muito além de uma cena de vômito, como existe no longa de Ruben Östlund. Aqui há vômito também, mas de uma forma bem pior, além de outras coisas que podem afetar as sensibilidades mais impressionantes. 

 

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