03/06/2026
Drama

Quando a Luz Arrebenta

Una e Diddi são dois amigos que se descobrem apaixonados, mas, antes de assumir publicamente o relacionamento, ele precisa terminar com sua namorada. Quando ele está prestes a fazer isso, morre num acidente, e Una precisa lidar com esse luto sozinha. Na Reserva Imovision.

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Vencedor da Mostra Internacional em São Paulo em 2015, com seu segundo longa, Pardais, o islandês Rúnar Rúnarsson não se furta de investigar profundos impactos emocionais em seus personagens. Em seu novo filme, Quando a Luz Arrebenta, um processo de luto que precisa ser sufocado – ou, ao menos, adiado – é o grande dilema da protagonista, a jovem estudante de arte Una (Elín Hall).

Ela está começando a viver um romance com seu amigo, Diddi (Baldur Einarsson). Eles têm sonhos e fazem planos para o futuro, mas, antes de tudo isso se concretizar, ele precisa terminar com sua namorada oficial, Klara (Katla Njálsdóttir). Antes mesmo de poder terminar o relacionamento, uma tragédia acontece: um túnel explode, matando e ferindo centenas de pessoas que o atravessavam de carro. Diddi é uma das vítimas. 

Concentrado em um único dia, e com 80 minutos muito bem aproveitados, o longa acompanha Una em sua via crúcis silenciosa por não poder externar – ao menos, não como mulher apaixonada – sua dor. Os amigos tentam se ajudar, e a chegada de Klara, que mora em outra cidade, tornam as coisas ainda mais difíceis para a protagonista. 

De forma contida, mas eficiente, Rúnarsson acompanha como o grupo de jovens adultos navega pela longa jornada dia adentro em que, primeiro sem notícias, e depois abatidos pela perda do amigo, precisam ajudar uns aos outros. O centro da narrativa é Una, a quem cabe um papel importante no processo de luto, e cuja jornada interior é a questão central do filme.

Em suas aulas na faculdade de artes, a jovem precisa, entre outras coisas, aprender a atuar, e isso pode servir a ela nesse momento. Como manter seus sentimentos tão fortes internalizados, como ser solidária a Klara, quando ela, Una, é quem deveria estar nessa posição? Enquanto os outros amigos buscam formas de celebrar a vida de Diddi, as duas mulheres acabam involuntariamente se aproximando. 

A paisagem gélida e a arquitetura de Reykjavik estão proeminentes, como se fossem materializações dos sentimentos das personagens. Duas imagens, no entanto, formam uma potente rima visual, no começo e no final do filme. Primeiro, as lâmpadas do túnel, onde logo depois acontece a explosão, e, por fim, o sol refletido em pequenas ondas. Nos dois casos, a câmera faz os mesmos movimentos, mas seus significados são totalmente diferentes – para os personagens e para o público. 

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