Num momento terno, em que sentimentos amorosos entre duas garotas estão prestes a ser demonstrados, um computador sem noção solta a frase: “E o que vocês acharam da cena de sexo lésbico em Azul é a cor mais quente?” Esse é o clima anárquico e doce da animação australiana A Sapatona Galáctica, dirigida por Leela Varghese e Emma Hough Hobbs. O longa venceu o prêmio Teddy, no Festival de Berlim do ano passado, conferido ao melhor filme de temática LGBTQIAPN+, do evento.
Com um colorido espacial e vibrante, que parece uma combinação de cultura gótica com clichete, o filme tem o coração e a mente no lugar certo e saber fazer humor e manifestação política de forma acertada sem cair no panfleto barato ou deixar de lado os sentimentos mais profundos de suas personagens.
Saira (Shabana Azeez) já foi escolhida como a nobre gay mais sem graça do espaço. Depois de levar um fora de Kiki (Bernie Van Tiel), a princesa nem tem tempo de sofrer sua dor de cotovelo, pois sua amada foi sequestrada por Maliens brancos e héteros, e apenas Saira pode a salvar com seu lendário machado, o lábris. Ela, no entanto, nunca conseguiu usar o equipamento.
Rindo da caricatura, e abraçando com gosto a humanidade das personagens e figuras lésbicas as diretoras e roteiristas fazem uma animação divertida e inteligente sobre autodescobertas e auto-aceitação, numa personagem que está sempre reorganizando sua identidade. O humor tem sacadas impagáveis como a cidade de Clitopolis, e o olhar delicado sobre as personagens e suas lutas coletivas e individuais fazem de A Sapatona Galáctica, uma animação especial.
