18/07/2026
Comédia Suspense

Manual Prático da Vingança Lucrativa

Becket cresceu ouvindo sua mãe falar da fortuna de sua família, da qual ela foi expulsa ao engravidar de um sujeito pobre. Agora, adulto, órfão e sem dinheiro, o rapaz decide que deverá herdar todo o dinheiro e, para isso, matará seus parentes, um por um.

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Para uma (suposta) comédia interessada em fazer justiça social com as próprias mãos, Manual Prático da Vingança Lucrativa não é nem metade divertido do que poderia ter sido. Escrito e dirigido por John Patton Ford (Emily the Criminal), o filme parece uma espécie de primo pobre da franquia Knives Out sem a mesma sagacidade ou elenco estelar. 

O filme é inspirado no clássico inglês As Oito Vítimas, no qual Alec Guinness interpretava oito personagens de uma mesma família – entre eles, o protagonista assassino. Glen Powell assume esse personagem – e, ufa, nem tenta fazer mais que um, pois mal dá conta de seu próprio, Becket Redfellow, cuja mãe foi expulsa de uma família milionária ao engravidar de um músico pobretão, que morre quando filho nasce. 

Depois da morte da mãe, impedida de ser enterrada no mausoléu da família, Becket tem uma vida modesta, trabalhando numa loja de ternos caros, até que reencontra um antigo amor da infância, Julia (Margaret Qualley), outra ricaça que o esnobou por um homem milionário (James Frecheville). O protagonista relembra que o avô (Ed Harris) não deixou um testamento, mas, para evitar o imposto de renda, fundos, que serão herdados por membros da família. Por isso não teve como deserdar Becket, mas para ele chegar até esse dinheiro será preciso que os parentes morram. E ele se empenhará para que isso aconteça.

Tudo é narrado por Becket, na cadeia, a um padre, poucas horas antes de sua execução. E, com isso, Patton Ford abusa da voz em off de Powell contando tudo o que fez, a ponto de se tornar uma muleta cansativa do filme. O mesmo acontece com a estrutura do roteiro. Sempre que é apresentado um novo membro da família Redfellow, sabemos que duas ou três cenas depois, será assassinado pelo protagonista, o que torna o filme enfadonho.

O humor não funciona direito, não há grandes momentos, e é tudo muito morno, o drama também não emerge bem, pois o longa não investe o suficiente nos personagens. Todos são muito caricatos – o que inclui os dois interesses amorosos de Becket: Julia, uma espécie de femme fatale sinistra, e Ruth (Jessica Henwick), professora de literatura de bom coração, ex-namorada de um primo-vítima do protagonista – diga-se que ela é a personagem mais humana em cena, e Henwick, a melhor atriz. 

Uma vez que Becket conta sua história da prisão, de onde espera sua execução, sabemos que ele será pego, mas o filme tem algumas reviravoltas em sua manga. Nenhuma muito interessante ou plausível, já que alguns elementos não fazem o menor sentido – como a investigação pífia do FBI quando muitos membros de uma mesma família morrem em circunstancias misteriosas. Para o público brasileiro, no entanto, a maior surpresa é a presença, na trilha, da música Take me Back to Piauí, cantanda por Juca Chaves. E quando Manual Prático da Vingança Lucrativa acha que está arrasando, está apenas sendo sem pé, nem cabeça. 

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