O terror de ficção científica Iron Lung não é destituído de qualidades – embora seus defeitos se sobressaiam. Sua ambição é de se invejar. Este é filme de pouco mais de duas horas, escrito, dirigido, produzido, montado e protagonizado por Mark Fischbach, que é o único humano em cena – dos coadjuvantes, ouvem-se apenas as vozes. Seu maior defeito grita: suas mais de duas inexplicáveis horas de duração. Um curta seria mais interessante, divertido e muito mais bem resolvido, mas, enfim, ele resolveu se arriscar, e isso deve agradar aos fãs do jogo homônimo, criado por David Szymanski e lançado em 2022.
Assistir Fischbach, cuja persona internética atende pelo nome de Markiplier, é como ficar no Twitch vendo ele jogar. Não tem muita diferença na experiência, por isso, talvez, seja mais interessante assistir ao filme em streaming no computador do que na tela do cinema, embora, quando lançado nas salas nos EUA, no final e janeiro, haja feito um sucesso enorme e inesperado, batendo o documentário sobre a primeira-dama estadunidense Melania Trump.
Markiplier interpreta Simon, um condenado que pilota solitariamente uma espécie de submarino espacial, navegando pelo infinito e cumprindo missões. Claustrofóbico, o longa se passa o tempo todo nesse artefato bagunçado que mais lembra o quarto de um adolescente. Segue, então, a ideia de games de cumprir tarefas, seguir rumo a novos desafios e nada além disso.
Sem muita noção cinematográfica, o filme é contido, não tem algo de espetáculo, é claustrofóbico e sem respiro, o que o torna monótono para quem não conhece o jogo. Tudo é muito lento e sem sentido, daí, também, as injustificáveis duas horas do ego do seu criador na tela.
