Há uma boa cena em Casamento Sangrento: A Viúva, e acontece logo nos primeiros minutos. É protagonizada pelo cineasta canadense David Cronenberg, que interpreta um homem cheio de poder, capaz de acabar com uma guerra, literalmente, com um telefonema. Passou disso, o filme é a mesma mesmice do primeiro, sem nenhum tom de novidade, ainda que esforçando-se para parecer diferente, criando uma série de personagens óbvios, membros de uma irmandade de ricos.
Não se pode reclamar, no entanto, de que o filme não cumpre o que promete: mais sangue do que no anterior, de 2019, e também dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. No primeiro filme, Samanta Weaving é Grace, um jovem de classe média que acaba de se casar com um sujeito podre de rico. Na mesma noite, ela fica sabendo que a família dele tem uma brincadeira macabra de a perseguir até o nascer do sol. Se ela sobreviver, são eles que morrem de uma maneira pouco convencional.
O segundo filme começa exatamente onde o primeiro termina, com a mansão sendo consumida por um incêndio, e Grace saindo dali cansada pela noite exaustiva. A partir daí, ela vai para o hospital, tem algumas paradas cardíacas no meio do caminho, é investigada por um detetive de polícia que suspeita do vestido de noiva coberto de sangue, e recebe a visita da irmã mais nova, Faith (Kathryn Newton), que não via há anos.
Na outra ponta da história está o chefão interpretado por Cronenberg, que convoca seus filhos gêmeos, Ursula (Sarah Michelle Gellar) e Titus (Shawn Hatosy), e outros membros de uma elite global para uma revanche contra Grace, que agora está presa num spa. Um membro de cada um desses clãs tentará matar Grace até o nascer do dia. Se conseguir, ocupará o posto mais alto dessa confraria sinistra de pessoas podres de ricas e influentes.
Tudo parece uma mistura de Entre Facas E Segredos e John Wick com essa novidade da organização poderosa de elite mundial. As regras do jogo, assim como a caçada em si, nunca fazem muito sentido, porém, são apenas um pretexto para um banho de sangue na tela. As personagens se esforçam para ser engraçadas ou extremamente loucas, mas nada disso funciona.
Enquanto fogem dos assassinos, Grace e Faith tentam acertar as contas com o passado – outro elemento do filme que nunca se resolve direito. Lances de psicologia barata abundam tanto quanto o vermelho-sangue que jorra para todo lado. Exatamente a combinação que agradou tanto anos atrás, e fez do primeiro filme um sucesso inesperado.
