Às vezes conceito é tudo. Veja o caso da comédia de terror Eles Vão te Matar, um filme que parte de um conceito interessante – embora derivativo – e não consegue ir além disso. Uma combinação de Kill Bill com O Bebê de Rosemary, com uma pitada de Casamento Sangrento e toques de Jordan Peele, mas sem chegar minimante próximo de cada um desses filmes. Enfim, uma salada de ideias sem desenvolvimento, ou, muito menos, personalidade.
Zazie Beetz interpreta uma mulher que começa a trabalhar numa espécie de hotel exclusivo para podres de ricos em Manhattan. Logo descobre-se que o lugar é um covil de satanistas que fizeram um pacto pela vida eterna, e ela é a próxima a ser sacrificada para renovar o acordo. Antes da primeira meia hora, surge o embate entre ela e os adoradores de Satã, uma cena com seus momentos divertidos, mas, que ao fim, se torna o refrão do longa do russo Kirill Sokolov, que repete a cena com variações, pendendo para o humor sem nada acrescentar ao filme.
Essa empregada, chamada Asia, tem seus objetivos para estar ali, e estão ligados ao prólogo envolvendo sua irmã mais nova, Maria (Myha'la), com quem não tem contato há uma década e que pode estar trabalhando nesse hotel. Ela é apresentada às instalações pela gerente, Lily (Patricia Arquette), e conhece alguns moradores, interpretados por atores como Heather Graham e Tom Felton.
Como se descobre ainda no começo do filme, esses satanistas, por serem imortais, têm o poder de regeneração, por isso, por mais que Asia os esfaqueie, atire neles ou corte a cabeça, voltam ao normal. Então, para que serve a violência se não para ser gratuita?
Personagens destituídos de qualquer personalidade são facilmente descartados para logo voltarem à vida juntando os pedaços. É engraçado na primeira vez, depois se torna exaustivo e sem graça. Ao contrário de Kill Bill – claramente a maior influência aqui. Se Sokolov sabe direitinho como fazer as coreografias das lutas, por outro lado não tem ideia de como conectar isso a uma trama.
Quando o filme parece apontar para questões de raça – a maior parte das funcionárias do hotel não são brancas – e classe, nada sai disso a não ser o óbvio. O que apenas sublinha como os filmes originais são sempre melhores do que as cópias.
