18/07/2026
Suspense Drama

Barba Ensopada de Sangue

Antes da morte de seu pai, um rapaz vai a uma praia em busca de suas origens, pois seu avô viveu lá, numa vila de pescadores. Mas, pela maneira como é recebido pelas pessoas, ele percebe que seu avô não foi uma pessoa muito querida ali.

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Partindo do romance homônimo de Daniel Galera, Barba ensopada de sangue é um filme, que, como seu protagonista, tenta achar sua identidade. Suspense? Terror? Fantasia? Drama familiar? Um filme pode ser tudo isso, mas, quanto mais gêneros ele empilha, mais complicado se torna equilibrar tudo. O diretor Aly Muritiba tenta, e Gabriel Leone, no papel do protagonista, também, mas, a certa altura, a pilha desmorona, embora não deixe de ser interessante ver os pedaços se espalhando. 

Leone interpreta um personagem sem nome, o que ao mesmo tempo é um despojamento e um indício da busca pelo seu passado, para compreender seu presente. Após a morte do pai, vai para um praia em Santa Catarina, onde o avô era considerado uma espécie de demônio. Tentar compreender esse homem e sua história misteriosa pode ser entender a si mesmo. 

Mas a recepção não é amistosa – pelo contrário. As histórias de horror ligadas ao avô são transferidas para o neto, que é hostilizado o tempo todo. Indo do horror psicológico a um flerte com o folk numa memória coletiva do local, passando pelo drama familiar, é um caminho de pedras para Muritiba, que já se mostrou mais confortável em histórias rocambolescas, como Deserto Particular e Para minha amada morta

O elenco de figuras que cruzam o caminho do protagonista sem nome é particular, incluindo uma jovem grávida que logo se apega ao personagem, criando mais indisposições com os moradores locais. Tudo é envolto em mistério e distanciamento, com um protagonista pouco convidativo para o público.

Leone é um ator competente e empenhado (mesmo que a barba falsa que tem no rosto nesse filme deponha contra ele), mas o personagem não ajuda. Sabemos pouco sobre ele, como a conturbada relação com o irmão, com quem diz ter compartilhado uma namorada. Descobre-se também que tem uma espécie de doença que o impede de se lembrar do rosto das pessoas. Um elemento que chega tarde no filme, e pouco se explica ou justifica.

Os tropos do estranho numa terra estranha são usados até não poder mais para justificar não apenas a narrativa como a existência do filme, que caminha em passos lentos e contemplativos e, ainda assim, termina de forma abrupta, negando ao seu protagonista não só um nome, mas uma trajetória mais coesa. 

 

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