Vingadora é um filme tão mal resolvido em sua trama que tudo precisa narrado por sua protagonista, a militar Nikki, interpretada por Milla Jovovich. Ela não só nos conta suas intenções, como reitera por palavras suas ações, que, diga-se de passagem, não são nada complexas. Mas o longa de Adrian Grunberg é tão inapto que precisa se certificar de que entendamos tudo – ainda que não que haja algo de muito difícil de se compreender aqui.
Nikki passou anos em operações militares pelo mundo, privando-se da convivência com sua filha, Chloe (Isabel Myers), que chega à adolescência com um relacionamento tenso com sua mãe. Elas sempre estão brigando e, quando a jovem uma noite sai com as amigas, a protagonista decide ir atrás dela para fazer as pazes. E de repente encontra a moça num bar, na companhia de um estranho que a está sequestrando, um pouco dopada, pela porta dos fundos.
Começa o calvário de Nikki que, dotada de habilidades físicas adquiridas no exército, distribuirá tiros, porradas e bombas, mostrando-se mais letal do que os malfeitores. Bem, eles não têm a menor chance com ela, tanto que antes da metade do filme ela já resgatou Chloe das mãos dos traficantes de pessoas. Mas, calma, ainda tem muito chão pela frente e, num segundo de distração, eles roubam a menina novamente!
Com roteiro assinado pelo coreano Bong-Seob Mun – o filme é uma coprodução entre EUA e Coreia do Sul, e estreou mundialmente no Festival de Busan por conta disso –, Vingadora debocha do público, mas não por ter humor – algo que não tem – mas por forçar a situação e achar que todo mundo vai comprá-lo pelo preço que se vende. Derivativo, o longa parece uma versão piorada daqueles filmes em que Liam Neeson mata todo mundo para salvar algum ente querido que foi sequestrado. E, ao final, há uma reviravolta estapafúrdia que pode indicar o começo de uma franquia – o mais provável é que não.
