Com Causa é um daqueles filmes super bem-intencionados, mostrando pessoas que tentam mudar o mundo a partir de ações próprias. São militantes das mais diversas causas em vários países com o objetivo de fazer do mundo um lugar melhor.
De figuras conhecidas dos brasileiros, como Ailton Krenak, a outras não tão famosas aqui, como Jeremias Thoronka, de Serra Leoa, o filme reúne depoimentos e imagens que resultam numa espécie de filme institucional do bem com histórias de superação e sugestões para transformação.
O problema, excetuando Krenak, como sempre dono de uma fala muito sóbria, é a busca de soluções individuais sem nunca se referir ao denominador comum que perpassa todas as lutas: o capitalismo. Não há dúvidas das intenções nobres de Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, uma rede de ONGs brasileiras que lutam contra a pobreza. Mas quando ele diz que “escassez e abundância são visões de mundo [...] o mundo é mais rico do que pobre”, tudo se complica pelo simplismo, pois para ele “a base para vencer a pobreza já existe [...], então a gente precisa construir tecnologias para possibilitar acesso”.
O longa mostra tecnologias e possibilidades de mudança, sempre num nível da urgência do momento, sem a preocupação de transformar a base, apenas mexendo na superestrutura. Ou seja, prega-se apenas o reformismo, nunca a revolução. Não há dúvida de que os trabalhos sociais mostrados no filme são úteis e importantes, mas eles só repõem, em última instância, a necessidade de suas existências, mantendo, mesmo que involuntariamente, um ciclo de exploração e pobreza sem oferecer de fato formas de ir além.
