23/07/2026
Documentário

Zico, o Samurai de Quintino

Nascido em Quintino Bocaiúva, subúrbio carioca, Zico foi um dos maiores jogadores do futebol brasileiro. Camisa 10 no Flamengo, estrela da seleção, ele também teve uma trajetória como técnico que o levou até o Japão, na maturidade.

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Um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, brilhando no Flamengo e na seleção especialmente na década de 1980, Zico é a estrela do documentário que leva seu nome e que promove o status do famoso “galinho de Quintino” - referência ao físico franzino e ao subúrbio carioca onde nasceu - para “samurai”. Uma licença poética que faz sentido, dada a aproximação do craque carioca com o Japão em sua maturidade.

Dito isso, Zico, o Samurai de Quintino, de João Wainer, abraça o projeto de ser um documentário ameno. Ou seja, dedicando a maior parte de seu espaço à figura inegavelmente afável do jogador, um homem simples que nunca abandonou suas origens, casou com a namorada da adolescência, Sandra, e permanece casado com ela cinco décadas depois, formando uma figura família que gerações mais jovens de craques brasileiros não seguiram, ligados num padrão de vida ostentação e numa incrível sucessão de casamentos e rompimentos midiáticos. 

Essa autenticidade é um grande trunfo do filme, que mostra generosamente o ambiente familiar do craque, sua mulher, filhos, colegas e amigos, como Junior, Paulo César Carpegiani, Ronaldo Fenômeno e Carlos Alberto Parreira, e raras imagens em super-8 da família, além de inúmeros gols e lances de jogo que atestam o talento indiscutível do jogador.

Um espaço generoso é dado à passagem de Zico pelo Japão, onde contribuiu exemplarmente para a evolução do futebol naquele país, começando humildemente no time operário da empresa Sumitomo até alçar a posição de técnico da seleção local.

Com passagens como técnico em diversos times europeus como o Fenerbahçe (Turquia), Olympiacos (Grécia) e CSKA Moscou (Rússia), curiosamente Zico nunca foi técnico de seu time do coração, o Flamengo. Na seleção brasileira, também não passou da comissão técnica, sob o comando de Zagallo, em 1998.

Todos esses méritos não poderiam deixar de ser mencionados e certamente louvados. Mas é certo que o documentário se esquiva de temas polêmicos, como a curta passagem de Zico pela Secretaria Nacional do Esporte, no governo Fernando Collor, em que Zico iniciou mudanças legais visando beneficiar os jogadores em sua desigual relação com os clubes. O assunto passa rapidamente numa imagem, sem nenhum comentário do jogador. Isso impregna o documentário de um certo chapa-branquismo, sem que certamente retire seu valor, especialmente para os fãs do futebol-arte de todas as gerações.

 

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