Dolly - A Boneca Maldita não é mais um filme de terror protagonizado por uma boneca que ganha vida e sai matando. O longa de Rod Blackhurst não é exatamente complexo ou sofisticado, mas é diferente, ao mesmo tempo que é igual a tantos similares do gênero. A personagem-título é um ser humano com uma máscara de boneca de porcelana cobrindo seu rosto. A ideia toda, assim como a figura em si, é muito bizarra.
E Blackhurst, assinando roteiro com Brandon Weavil, não se intimida de levar essa bizarrice bem longe, embora também não ouse muito, mesmo com o sangue jorrando sem piedade. O que sustenta o filme, fora suas coisas estranhas, é a presença da scream queen que começa a de destacar no cinema, Fabianne Therese, no papel principal, como Macy, uma mulher, bem, adotada, por assim dizer, por Dolly.
Quem interpreta Dolly é Max the Impaler, uma pessoa não-binária, lutadora profissional, que imprime um tom aterrorizante na personagem, dotada de instintos maternais aguçados. O filme começa numa floresta, onde Chase (Seann William Scott) e Macy encontram bonecas e partes de bonecas espalhadas nas árvores, na terra – algo que cria imagens bem interessantes por conta do estranhamento.
Depois de momentos de horror, Macy é sequestrada por Dolly, e levada para sua casa de boneca, onde a vítima é vestida com roupas de criança e “cuidada” pela boneca gigantesca. Novas esquisitices acontecem num filme que parece uma mistura de O Massacre da Serra Elétrica com Jogos Mortais. Há bons momentos mas, na reta final, Blackhurst transforma seu longa numa mera perseguição de gato e rato, o que é frustrante, dado o potencial que mostrou no começo.
