18/07/2026
Documentário

Alma Negra, do Quilombo ao Baile

Contando com um rico material de arquivo e com entrevistas novas com figuras como Tony Tornado e Zezé Motta, o documentário desvenda a importância do soul e dos bailes, como o Chic Show, em São Paulo, para a construção de uma identidade dos negros e negras do país.

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Alma Negra, do Quilombo ao Baile é uma celebração da cena musical e intelectual negra no Brasil a partir dos  bailes black e da música negra, resgatando a efervescência de um movimento cultural que atravessou as décadas de 1960 e 1970. Contando com rico material de arquivo e trazendo novas entrevistas, o longa de Flavio Frederico vai além da música para investigar tentativas de superação do racismo estrutural no país. 

Como dizem ainda no começo do documentário, soul é uma música que vem da alma. O gênero tipicamente estadunidense teve uma forte influência na música brasileira, permitindo que artistas negros, como Tony Tornado (que dá um belo depoimento no filme), encontrassem a partir do exterior uma forma brasileira para manifestar a cultura negra. 

Frederico sabe trazer um forte apelo ao longa ao colocar em cena apresentações de artistas como o próprio Tornado cantando BR-3, na histórica performance no  V Festival Internacional da Canção (1970), marcando o encontro da música popular brasileira com o soul e o funk. São imagens marcantes e empolgantes, mas que, em certa altura, começam a se repetir, atenuando o vigor de um filme tão pulsante. 

Ao celebrar a música, o longa busca sua dimensão mais política como forma de protesto e expressão de uma cultura marginalizada. Documentos mostram que  artistas, DJs e produtores de bailes black eram monitorados com a suspeita de que organizassem movimentos contra a ditadura.

Mesmo fazendo o retrato de um movimento de coletividade, o filme destaca as particularidades, como no Rio de Janeiro, os bailes no subúrbio, enquanto em São Paulo havia o Chic Show, ligado ao Palmeiras. O filme segue muito bem com o retrato dessas manifestações, repleto de falas interessantes e imagens empolgantes, só se perde, no entanto, quando tenta desnecessariamente expandir o assunto, perdendo o foco e tornando-se quase genérico. 

Ao sair de sua seara, ganha um tom didático, deixando de lado a celebração do espetáculo e da música, para enveredar por outros caminhos já explorados em outros filmes para falar de racismo no Brasil. De qualquer forma, é um resgate importante de uma manifestação que mudou a cultura brasileira. 

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