Eis um filme da franquia Star Wars que conquista por suas inesperadas simplicidade e doçura. Sem grandes ambições metafísicas e narrativas, o filme só quer mostrar um bichinho verde fofinho e ganhar seu dinheiro em paz. E é o que consegue. Sem trazer nada de novo à série, e especialmente por isso, é um produto familiar, como um longo comercial para se assinar o Disney+. E tudo bem.
O Mandaloriano e Grogu, dirigido por Jon Favreau, mais do que um longa ligado à serie do streaming, é um amontoado de episódios mal conectados que ganham pelo fator fofura, graças ao Grogu do título, uma criaturinha verde, da mesma espécie do Mestre Yoda, mas que não é ele – afinal, o filme está situado depois do episódio VI, O Retorno de Jedi (1983), no qual Yoda já é um adulto. Detalhes, apenas detalhes.
O Mandaloriano é feito por Pedro Pascal, e, exatamente por ser interpretado por Pedro Pascal, em algum momento irá remover o capacete em sua longa jornada pela proteção de seu Grogu, que começa a desenvolver poderes telecinéticos. O fiapo de trama que junta todas as pequenas aventuras dos 132 minutos começa quando a coronel da República Ward (Sigourney Weaver) contrata Mando, como é chamado o protagonista, para salvar da prisão Rotta the Hutt (dublado por Jeremy Allen White), filho e herdeiro de Jabba the Hutt.
Com essa linha, Favreau, a partir do roteiro assinado por ele, Dave Filoni e Noah Kloor, encontra o pretexto perfeita para se mover num universo repleto de criaturas bizarras, monstros perigosos e um vendedor de foodtruck hiperativo dublado por Martin Scorsese. Não é um filme que irá mudar a franquia Star Wars ou resgatar seu prestígio, ou trazer um novo fôlego.
Daqui a algumas semanas, ninguém vai nem lembrar se isso é um filme ou mais um episódio do seriado. Mas, ainda assim, é estranhamente agradável de se ver, e que não exige qualquer familiaridade com o universo do programa da Disney+.
