18/07/2026
Drama

Diamantes

Nos anos 1970, Bianca Vega é uma figurista de cinema de sucesso, que busca um ateliê que produza suas novas criações. As mulheres dessa oficina de costura trazem suas histórias marcadas por perda e sofrimento.

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Mirando em Pedro Almodóvar, 8 Mulheres, de François Ozon, e Mulheres, de George Cuckor, o turco-italiano Ferzan Özpetek dá um tiro n’água com seu Diamantes, um filme com uma longa galeria de personagens femininas que não superam os clichês de uma história contada por um homem gay romantizando o sofrimento e os problemas dessas mulheres. 

Özpetek começou sua carreira como assistente de direção num ateliê de figurinistas de cinema, e tira dessa experiência a matéria-prima para seu roteiro, que assina com Elisa Casseri e Carlotta Corradi. O filme abre com uma cena que quebra a quarta parede. Nela, o próprio cineasta oferece um almoço a diversas atrizes italianas, a quem ele chama de “minhas atrizes”, e a elas oferece papéis no filme que irá fazer, Diamantes

Se essa abertura soa promissora e ousada, o que vem depois tem pouca vida por si mesmo, e afunda na obviedade, apesar do esforço das atrizes que agarram seus personagens como vigor – mas essas figuras do filme não têm muito de fresco a oferecer a elas. São histórias de sofrimento feminino e sororidade que seguem a lista de sempre: violência doméstica, antigos amores, depressão, perda de filho e afins. Não que não seja um material humano interessante para um filme – Almodóvar mesmo já fez filmes excelentes sobre isso –, mas, nas mãos de Özpetek não decola. 

A trama se passa nos anos 1970. Bianca Vega (Vanessa Scalera) é uma figurinista ganhadora do Oscar, que está montando uma equipe para seu próximo trabalho. Ela é uma mulher forte, e precisa ser incisiva para se manter numa indústria dominada por homens – especialmente naquela década. Sua suposta força enquanto personagem vem da caricatura. 

Alberta (Luisa Ranieri) e Gabriella (Jasmine Trinca) são donas do ateliê onde os trabalhos serão feitos, e sua equipe é formada por Fausta (Geppi Cucciari), Nicoletta (Milena Mancini), Nina (Paola Minaccioni), Eleonora (Lunetta Savino), Paolina (Anna Ferzetti) e Giuseppina (Sara Bosi). Cada uma delas tem uma subtrama que, por serem tantas, se embolam sem muita profundidade.

Nem os longos 135 minutos do filme são suficientes para desenvolver bem a história de alguma delas, quem dirá dessa turma toda. Repleto de boas intenções, Özpetek se satisfaz em colocar na tela personagens femininas, dirigindo-as com a mão pesada que lhe é comum, e, ao final, parece uma possibilidade e um elenco de mulheres desperdiçadas. 

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