Não deixa de ser irônico que Chopin, uma Sonata em Paris, um filme sobre um compositor clássico, chame a atenção, em primeiro lugar, por sua fotografia esmerada, assinada pelo polonês Michal Sobocinski, que lembra a de Barry Lyndon, mas, claro, sem aspirar a copiá-la. Assim, o filme é marcado por chiaroscuro, tons pastel, e uma direção de arte dedicada.
Mas essas não são as únicas qualidades do drama dirigido pelo também polonês Michal Kwiecinski. O primeiro acerto do longa é evitar ser aquele tipo de cinebiografia que aspira a contar a vida de uma figura notória do berço ao túmulo. Não, o roteiro de Bartosz Janiszewski, desvia disso, e faz um recorte preciso sobre Frédéric Chopin (Eryk Kulm), radicado em Paris, em 1835, navegando por círculos da alta sociedade, tentando compor, sofrendo de doença pulmonar e dando aula para sobreviver.
Partindo disso, Kwiecinski evita algumas regras tácitas do filme de época. Desvia daquele tipo de olhar para o passado, trazendo frescor e vigor ao drama bastante colorido e com uma trilha sonora que vai além do óbvio de usar Chopin ou outros compositores clássicos.
A vida do músico foi curta por causa de sua doença, mas nem por isso menos intensa, travando relacionamento com George Sand (Josephine de La Baum) e Maria Wodsinkza (Martyna Byckzcowka). E o que lhe dá forças para viver, mesmo consumido pela doença, é compor e tocar para o público.
Soma-se a tudo isso, a atuação de Kulm, capaz de trazer o humano na frente do celebrado compositor. O filme, muito por conta da presença do ator, encontra o equilíbrio entre a vida conhecida e a vida íntima de Chopin, numa embalagem muito bonita aos olhos, mas sem que tudo seja subordinado apenas à estética, elevando com ela o conteúdo humano.
