Mais de duas décadas atrás, Diane Lane foi à Toscana em busca de uma casa e encontrou o amor. A história se repete com Halle Bailey em Eu & Você na Toscana – a semelhança não passa batida aqui, há até uma piscadela quando uma personagem diz: “Eu serei sua Diane Lane se você me colocar sob o sol da Toscana.”
Bailey interpreta Anna, uma jovem estadunidense que, até pouco tempo atrás, era uma futura estrela da gastronomia. Sua vida saiu dos trilhos com a morte da mãe, sua grande amiga e inspiração. Agora, ela vive de pequenos expedientes, até que conhece, por acaso, Matteo (Lorenzo de Moor), um italiano que está em Nova York fugindo de sua família, que o pressiona a administrar a vinícola. Depois de se passaram noite (só) dormindo juntos, ele deixa uma carta para ela, dizendo que deveria ir à Toscana, que ela sonhava em conhecer.
Como ela ainda tinha passagem, dá um jeito de viajar e se instalar numa villa que a família deu a Matteo. Tudo isso, sem que ele saiba. Mas quando a mãe dele (Isabella Ferrari) a descobre, uma série de mal-entendidos, que Anna desiste de resolver, levam a italiana a pensar que a jovem é noiva de seu filho, e que ela o fará voltar para a Itália.
Faz parte desse clã o primo Michael (Regé-Jean Page), que, convenientemente, fala inglês fluente, facilitando o inevitável romance entre ele e Anna, que é, como diz um dos gêneros literários hot do momento, um plot “de inimigos a namorados”. Mas, de hot, o filme não tem nada. É casto até demais – e inofensivo também.
A influência negativa da Netflix nos filmes fica cada vez mais clara. Mesmo não sendo uma produção para o streaming, Eu & Você na Toscana tem toda cara de comédia romântica que seria empurrada por algum algoritmo, vista e esquecida. Uma dessas descartáveis que entram aos quilos todos os meses nas plataformas. Sem personalidade e distinções, o filme se apoia nas belezas da Itália, mas nem essas imagens ajudam tanto, mostradas de maneira óbvia e pouco inspirada. Pesa muito também a ausência de química entre os personagens principais.
