Conhecido por dramas que adentram o contexto histórico, como Os Cem Passos (2000) e a minissérie A Melhor Juventude (2003), o cineasta italiano Marco Tullio Giordana adentra o território do melodrama ao adaptar aqui o premiado livro da autora Mariapia Veladiano. Contou, para essa transposição, com a notável colaboração de outro veterano do cinema italiano, o diretor Marco Bellocchio, e de Gloria Malatesta, armando um roteiro que não resulta, porém, inteiramente satisfatório.
Na Vicenza dos anos 1980, o casal Maria (Valentina Bellé) e Osvaldo Macola (Paolo Pierobon) aguarda com ansiedade o nascimento de sua primeira filha. Rebecca, no entanto, nasce com uma grande mancha vermelha numa das faces, o que alimenta em sua mãe um grande desapontamento que a mergulha gradativamente na depressão. A mãe descuida do cuidado da filha, que o pai, um ginecologista, assume, com a participação de sua irmã, Erminia (Sonia Bergamasco). Ambos formam uma redoma protetora sobre a menina, que não durará, no entanto, a partir do momento em que ela tem que enfrentar o mundo lá fora, começando pela escola.
Já na adolescência, Rebecca (interpretada por Beatrice Berison) terá que desenvolver suas próprias armas para resistir ao bullying causado por seu pequeno problema físico e também à distância afetiva da mãe. A descoberta de um talento musical comparável ao da tia, uma consagrada pianista, começa a abrir para a garota um mundo em que ela tentará trilhar um caminho de maior normalidade e aceitação, também contando com a amiga Lucilla (Francesca Rigoni).
Uma reviravolta aguarda a garota na vida adulta, numa virada que não se conduz com o esperado equilíbrio e interesse - o que é um tanto decepcionante ao se pensar no conjunto da obra deste diretor, que aqui não atingiu todas as notas que poderia. Neste filme, aliás, o contexto histórico não entra em cena.
