25/06/2026
Drama

O Sol Nasce para Todos

Na sala de espera de um grande hospital, os ex-amantes Meiyun e Baoshu se reencontram por acaso. Anos atrás, ele assumiu uma culpa dela num acidente e foi parar na prisão. Longe um do outro, eles têm agora uma oportunidade de revanche ou perdão.

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Melodrama chinês do veterano Cai Shangjun, O Sol Nasce para Todos começa com uma negação do próprio e enganoso título. Nada mais longe de uma possibilidade de redenção do que os ex-amantes Meiyun (Xin Zhilei, prêmio de melhor atriz em Veneza 2025) e Baoshu (Zhang Songwen).

Afastados há anos, eles se reencontram por acaso na sala de espera de um grande hospital. Meiyun aguarda exames de uma gravidez que se afigura complicada. Baoshu veio do interoior em busca de tratamento para um câncer. Um reencontro que reacende um imenso arsenal de culpas, ressentimentos e desejos tortuosos, que o diretor arma como uma via-crúcis sem quase alívio.

Apesar da alta voltagem dos sentimentos de ambos, o filme mantém o controle num tom contido, permitindo que as revelações sobre a história deste relacionamento venham à tona em fragmentos. Num passado recente, eles sofreram um acidente de automóvel, que Meiyun conduzia, e terminou com uma morte. Foi Baoshu quem, no entanto, assumiu a culpa e a condenação a cinco anos de prisão. Antes que os cumprisse, a moça desapareceu de sua vida, mudando para outra cidade. Apenas a necessidade do tratamento de saúde trouxe Baoshu ao mesmo lugar, propiciando o reencontro.

Embora ela se disponha a de algum modo compensar em parte o ex-amante por seu abandono, o contexto atual não é favorável. Ela o acolhe em seu apartamento, mas mantém um outro relacionamento, com um homem casado, Qifeng (Feng Shaofeng), que desconhece sua gravidez. A incomunicação, os sentimentos sufocados e uma culpa que pesa sobre toda possibilidade de ser feliz conduzem uma história truncada, que flerta demais com o novelão, com um gosto quase masoquista pelo sofrimento. Xin Zhilei se esforça ao máximo no papel que lhe deu a premiação em Veneza, em que ela não tinha muito mais o que fazer do que oferecer suas lágrimas em sacrifício, até o final, semicatártico, no ambiente de uma rodoviária de onde, afinal, os dois amantes partirão em rumos diferentes e irremediáveis. 

O gosto pelo fatalismo sucumbe a história do diretor Shanjun, premiado com um Leão de Prata em Veneza em 2011 por outro melodrama impregnado de culpa e de crime, Gente Montanha, Gente Mar.

 

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