29/07/2026
Documentário

Não Sei Viver sem Palavras

Um dos principais nomes da literatura nacional da segunda metade do século XX, Ignácio de Loyola Brandão é o centro desse documentário dirigido por seu filho, André Brandão.

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Não sei viver sem palavras se encaixa numa categoria que poderia ser chamada de cinebiografia impressionista e afetiva. Dirigido por André Brandão, o longa resgata a trajetória do seu pai, o escritor Ignácio de Loyola Brandão. É um filme de filho para pai, o que não significa que seja mero elogio consanguíneo para passar no cinema. Dado o calibre do biografado, o longa tem muito a dizer sobre ele e sobre o nosso país. 

O filme começa com imagens feitas pelo próprio escritor, registrando exatamente o nascimento de André. A partir daí, busca reconstruir não apenas a carreira do escritor e do cidadão Ignácio, mas também do pai – embora essa função não seja colocada como central dentro da narrativa, mas ainda assim tem seu peso, afinal, como é contado, ele e seu filho foram um pouco distantes. Vemos o Inácio e o André do passado, e o Ignácio (próximo dos 90 anos na época das filmagens) e o André do presente. 

Ignácio confessa que seu sonho era ser diretor de cinema, mas a vida acabou levando-o para a seara das letras, com romances famosos, como Zero (1974) e Não verás país nenhum (1981), um livro que, aliás, reencontrou uma nova vida na pandemia, ao mostrar uma São Paulo apocalíptica. Por um longo tempo do filme, o escritor fala sobre esse romance em especial, de onde veio a ideia, como foi escrito e o sucesso que teve desde sua publicação. 

Transitando entre a imagem e as palavras – públicas e pessoais, para amigos e familiares – do escritor, o documentário cumpre com essa função de resgatar sua importância dentro da cultura nacional, sem deixar de lado os afetos que marcam o próprio documentário. A intimidade permite a André acessar lugares de seu pai que talvez um cineasta de fora não conseguisse com tamanha proximidade. Ao mesmo tempo, encontra limitações, mas, felizmente, o filme sabe tirar proveito delas também. 

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