19/08/2026
Suspense

Refém por um Fio

Indianápolis, 8 de fevereiro de 1977. Pequeno proprietário de um terreno, Anthony Siritsis dirige-se à sede da Meridian Hipotecas, uma empresa com quem ele tem uma séria pendência. Pretendia sequestrar o dono, M. L. Hall, mas este viajou. Então, Tony sequestra o filho dele, Richard, amarrando-o a si mesmo a um fio que disparará uma espingarda de cano serrado, caso a polícia tente forçar sua liberação. O que ele quer: 5 milhões de dólares e um pedido por escrito de desculpas. Nos cinemas.

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Numa fase um tanto morna de sua carreira, o premiado diretor Gus Van Sant dirige este thriller dramático, que busca inspiração numa incrível história real, acontecida em Indianápolis, em 8 de fevereiro de 1977. Naquele dia, Anthony Kiritsis (Bill Skarsgard), cansado de ser enganado por uma empresa hipotecária, sequestra o filho do dono, Richard Hall (Dacre Montgomery), mantendo a polícia à distância ao amarrar o refém a si mesmo com um fio que dispara uma espingarda de cano serrado caso alguém tente separá-los. E assim mantém Richard prisioneiro em seu próprio apartamento, num prédio que Kiritsis encheu de explosivos. 

O que este sequestrador maluco, desesperado e inegavelmente engenhoso quer com tudo isso? Cinco milhões de dólares, como indenização por ter sido supostamente prejudicado pela empresa, e um pedido de desculpas por escrito do dono, o ganancioso M.L. Hall (Al Pacino), que era, na verdade, o alvo do sequestrador, mas viajou inesperadamente na véspera.

A presença de Al Pacino, que se esbalda na pele de um personagem inegavelmente escroque, remete sem dúvida a Um Dia de Cão, este sim um clássico de filme de sequestro de 1975, em que Pacino era o sequestrador. Para o bem e especialmente para o mal, Refém por um Fio não se compara ao filme de Sidney Lumet. Compraz-se em procurar as ironias numa situação incrivelmente tensa, tentando provocar a imaginação dos espectadores que não sabem como terminou todo esse imbroglio, baseado em fatos reais. E, mais uma vez, a realidade superou a ficção. Poucos roteiristas se arriscariam a escrever uma história que tivesse aquele incrível final.

Encarando mais um papel de vilão maluco, Bill Skarsgard tenta injetar aqui e ali alguma humanidade em seu personagem - cujos motivos são até legítimos, escancarando a voracidade dos golpes de incorporadores imobiliários. Mas o filme teria que ser bem melhor do que é para alcançar a relevância que teve, em sua época, Um Dia de Cão. Justiça seja feita: Refém por um Fio recria com razoável fidelidade a atmosfera do incidente dos anos 1970, recorrendo a personagens como o radialista Fred Temple, interpretado com o habitual charme por Colman Domingo, e que foi convocado a participar nas negociações para a libertação do refém. 

Se serve para lembrar alguma coisa, Refém por um Fio remete a tempos mais loucos e, apesar de tudo, menos violentos. Hoje em dia essa história toda terminaria bem antes e de maneira muito mais sangrenta.

 

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