26/08/2026
Drama Fantasia

Nosso Segredo

Recentemente abalados pela morte do pai, uma família de classe média desfia seus problemas. Cada um à sua maneira, terão que enfrentar desafios. Mas a própria casa oferece um mistério no andar de cima. Nos cinemas.

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Tendo tido sua première mundial no último Festival de Berlim, em fevereiro, vencendo depois três prêmios em Gramado (melhor filme, fotografia e direção de arte), Nosso Segredo recria uma peça da própria diretora, Grace Passô, que assina também o roteiro. Com muita perícia, ela constrói uma atmosfera ao mesmo tempo amorosa e inquietante para retratar uma família urbana de Belo Horizonte, abalada pela perda recente do pai (Nanêgo Lira).

Um elenco afinado em sintonia, integrado por atores como Ju Colombo, Roberto Frank, Flip, Jéssica Gaspar, Marisa Revert, Juan Queiroz e o menino estreante Efraim Santos, carrega adiante uma trama que expõe os dilemas dessa família, assombrada por dificuldades econômicas e emocionais, pelos enfrentamentos da condição de negros numa sociedade racista e de inúmeras buscas que se manifestam de uma forma para cada um, homem ou mulher, jovem ou adulto.

Vivendo numa casa em que os integrantes têm dificuldades de expressar seus sentimentos e se conectar, o medo mora, literalmente, no andar de cima – depois de uma escada que todos temem subir e de onde emergem misteriosos sons selvagens que só o caçula, Tutu, parece decifrar. 

Atriz de filmes como Praça Paris, No Coração do Mundo, O Dia que te Conheci, Temporada e O Filho de Mil Homens, Grace entregou uma obra densa, carregada de simbologias e capaz de gerar muitos debates. Essa complexa problemática humana, encharcada de uma peculiaridade brasileira, encontra uma tradução poderosa na trilha sonora especialmente composta pelo pianista e compositor pernambucano Amaro Freitas, mais uma vez sublime.

Impregnado de inúmeras referências pessoais - a casa que serve como cenário pertence mesmo à família da diretora -, Nosso Segredo trafega entre essas pessoas na tela de uma forma toda particular, que convirá a cada um que o assistir seguir à sua maneira, para permitir uma decifração calorosa, que pode levar a uma iluminação intelectual e também a uma empatia emocional. Nunca por um caminho fácil, certamente, mas numa viagem que valerá a pena para espectadores que esperem do cinema um bocado mais do que um entretenimento esquecível.

 

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