26/08/2026
Documentário

Um olhar inquieto: o cinema de Jorge Bodanzky

Narrando em primeira pessoa, Jorge Bodanzky mergulha em sua carreira de mais de meio século no cinema, como diretor e diretor de fotografia em obras marcantes do cinema brasileiro, como Iracema - Uma Transa Amazônica.

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“A câmera é uma continuação de meu corpo que deve estar sempre em movimento”, diz Jorge Bodanzky no documentário Olhar Inquieto: O cinema de Jorge Bodanzky, dirigido por ele mesmo e Liliane Maia. E o filme prova exatamente essa ideia. Narrado exclusivamente em primeira pessoa, o cineasta resgata sua trajetória atrás das câmeras, numa filmografia que transita entre documentários (Utopia Distopia, Volkswagen: Operários na Alemanha e no Brasil), ficção (Os Mucker, dirigido com Wolf Gauer), e seu longa mais famoso, que borra a fronteira entre o documental e o ficcional, Iracema - Uma Transa Amazônica (originalmente, de 1974, e relançado em cópia restaurada no ano passado), dirigido em parceria com Orlando Senna.

O filme começa com o resgate de antigas imagens nas quais o diretor documentou a construção, para uma TV Alemã, da Universidade de Humboldt, no Mato Grosso, em parceria com Karl Brugger. Num sobrevoo, captou imagens de indígenas tentando atingir o avião com flechas. O longo interesse do cineasta pela Amazônia e os povos originários começou aí.

Com sua voz tranquila, Bodanzky narra sua trajetória marcada por viagens e a sua busca pelo tipo de cinema que gostaria de fazer. No Chile, por exemplo, ele e Brugger estiveram filmando pouco antes do golpe contra Salvador Allende. As imagens de audiovisual e fotografia são impressionantes, e mostram um passado que, como diz o próprio diretor, “o cinema era, também, uma arma poderosa naquele momento”. 

Bodanzky revê Iracema - Uma Transa Amazônica , e faz comentários com suas lembranças sobre o filme, as dificuldades de filmar de se fazer esse longa. Não injustificavelmente o documentário se concentra nesse longa, no qual o cineasta descobriu o tipo de cinema que lhe interessava fazer. 

Filmes como Terceiro Milênio (1981) e Amazônia, A Nova Minamata? (2022) são frutos desse interesse audiovisual mas também social e político do cineasta, cuja carreira é marcada por um cinema curioso e profundamente ligado ao Brasil e seu povo. 

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