26/08/2026
Comédia Animação

Coyote vs. Acme

Wile E. Coyote sempre tentou capturar o Papa-Léguas, e sempre fracassou por conta dos equipamentos ruins que usa. Por isso, agora processa a Acme, empresa que produziu toda a parafernália.

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Por anos, talvez décadas, Wile E. Coyote tenta capturar Papa-Léguas para que lhe sirva de jantar. Na verdade, nem foi tanto tempo assim – foram apenas 49 episódios, criados entre 1949 e 1964. E o nível de violência física mostrado em cada desenho animado, possivelmente, nem seria aceito hoje. Tudo isso era consequência das tentativas frustradas do coiote, que sempre se valeu dos produtos Acme, uma grande corporação, que, inevitavelmente, não apenas não funcionavam como lhe causavam danos físicos. 

Por isso, em Coyote Vs Acme, o animal entra com um processo contra a empresa por danos físicos e morais (mais que machucado, ele sempre foi humilhado). O longa de Dave Green é uma comédia de tribunal que combina live action com animação para mostrar a batalha legal de Coyote em busca de justiça contra seu rival. Para o defender, encontra um advogado decadente, Kevin Avery (Will Forte), cujo sobrenome remete ao famoso criador de personagens como Pernalonga, Patolino e Gaguinho – todos fazem aparições aqui.

Embora um tanto mais domado em seu caos e loucura do que os desenhos originais, o longa se vale de um humor insano nessa história que combina pessoas e animais. A trama em si não é lá grande coisa. Coyote contrata Avery para processar a Acme, que tem em seu departamento legal o poderoso advogado Buddy Crane (John Cena). Assim, as partes são melhores do que o todo, num filme roteirizado por Samy Burch, a mesma roteirista de Segredos de um escândalo, e inspirado num conto da revista New Yorker, de Ian Frazier, publicado em 1990. 

A maneira meticulosa como o filme combina teorias da conspiração, políticas corporativas e um tom Davi versus Golias é tão impressionante quanto a combinação de humanos e personagens de desenhos animados numa trama sagazmente anticapitalista – um tema que, talvez, tenha assustado a Warner Bros., produtora do filme e detentora de todos esses personagens, que acabou vendendo os direitos de distribuição nacional e internacional do longa a diversas empresas. 

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