04/06/2026
Drama

Tônica Dominante

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Se fosse um gênero, seria clássico. Se fosse um estilo, seria uma sonata. Comparar Tônica Dominante à música faz todo o sentido. Afinal, o filme da estreante Lina Chamie tem como principal conceito unir imagens e sons da forma mais pura possível. É um biscoito fino para paladares refinados, o que não quer dizer que seja impossível para qualquer um prová-lo.

Fernando Alves Pinto é o herói. O jovem clarinetista sofre um trauma, é chamado por uma bela violinista (Vera Zimmerman) para ajudá-la em um trabalho, e, finalmente, se encontra na música. Carlos Gregório faz o papel do maestro. Como um verdadeiro regente, é ele quem pontua a jornada do herói-clarinetista. Faz a função do coro grego do teatro clássico.

Como numa sonata, a ação se desenvolve ao longo de três dias. Também como no estilo musical, cada segmento tem estrutura própria. Há em todos eles a prevalência de um gênero cinematográfico, do drama ao romance, passando pela comédia.

Nada é fortuito. Tudo tem um sentido. O mais claro é falar da criação artística no sentido mais amplo. Lina apenas usa a música porque é um terreno conhecido para ela. Formada em música pela Universidade de Nova York e mestre pela Escola de Música de Manhattan, a cineasta é uma exímia clarinetista.

Vale lembrar ainda o excelente trabalho da diretora de fotografia Kátia Coelho, uma das primeiras - talvez a primeira - diretoras de fotografia da história do cinema brasileiro. Seu trabalho é um dos pontos altos dessa bela sonata cinematográfica sobre a criação.

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