Dakota Johnson interpretando uma mulher ingênua e tola que trabalha com livros já se transformou num subgênero específico, marcado por resultados questionáveis. Depois da apática Anastasia Steele, na trilogia 50 Tons de Cinza, ela atua como uma escritora desconhecida em Verity, baseado no livro de Colleen Hoover e dirigido sem a menor inspiração por Michael Showalter, um diretor que veio de comédias fracas sem o menor comando para um thriller.
O longa poderia ser um suspense na mesma pegada de A Empregada, sucesso do começo do ano: um filme ruim mas divertido, com reviravoltas intrigantes, alguma correria e personagens surpreendentes. Aqui, tenta-se atingir um pedigree mais sério, colocando uma atriz consagrada e o nome do momento, Anne Hathaway – esse é o quarto filme dela esse ano. Mas ela não tem muito o que fazer com uma personagem que, supostamente, é contraditória, mas, no fundo, como todos aqui, é só sem graça mesmo.
Anne é Verity Crawford, uma escritora de thrillers macabros que sofre um acidente e não se move mais, nem consegue falar. Sua editora contata Lowen Ashleigh (Johnson), uma escritora iniciante sem sucesso e cujo estilo, dizem, é parecido com o da outra. A ideia é que, depois de assinar um acordo de confidencialidade, Lowen dará prosseguimento à série de livros, que será assinada ainda pela autora original. E, para isso, receberá uma fortuna.
Por conta daquele tipo de coisa que só acontece em filmes, Lowen precisará passar um tempo numa casa idílica e isolada, onde Verity vive com o marido, Jeremy (Josh Hartnett),e o filho pequeno (Brady Wagner). O marido diz à jovem escritora que no escritório de sua mulher existem muitas anotações, sinopses e informações que a ajudaram a escrever os livros, mas é coisa demais para organizar, por isso é melhor ir para lá.
As coisas mais óbvias, e que já estão no trailer, acontecem: Lowen e Jeremy envolvem-se cada vez mais, e ela passa a achar que Verity a encara, se mexe, conversa com o filho. Além disso, encontra escondido um pen-drive (a princípio parece só a sua vape mesmo), contendo um manuscrito da autobiografia de Verity. Mesmo sendo pouco recomendável até por questões ecológicas, ela imprime o texto, que nem é muito longo para uma biografia – especialmente se levarmos em conta que está escrita em espaço duplo.
A partir daí, o longa abre diversas possibilidades, algumas imagináveis e com potencial para ser muito mais divertidas e interessantes do que a resolução tola que se vê na tela. Mesmo sendo pouco plausível – o conselho que Verity recebeu de sua editora é risível –, o filme acredita tirar dali uma profunda discussão sobre moral e verdade. Mas nada faz sentido, e a essa altura pouco importa mesmo.
