Compositor de sucessos como Na Rua, na Chuva na Fazenda e As Dores do Mundo, o baiano Hyldon é uma figura discreta, cuja história é pouco conhecida, ainda maisem comparação a seus contemporâneos mais famosos, como Tim Maia e Cassiano, como ele expressões da soul music brasileira. Até porque essa figura discreta, hoje com 75 anos, preferiu sempre seguir um rumo um tanto próprio, resistindo a iniciativas de marketing de suas gravadoras, o que fez com que possivelmente não tenha desfrutado de todas as compensações que seus sucessos poderiam lhe render.
Baiano de Salvador, Hyldon abraçou cedo a música, tocando violão desde os 14 anos e criando sua própria banda. Mas a profissionalização só decolou mesmo quando decidiu radicar-se no Rio, morando com o primo Pedrinho, da banda Fevers. Apoiado nos contatos desse ambiente, ganhou sua chance como instrumentista mais experiente do que sua pouca idade faria supor. O primeiro grande sucesso, que o lançou como compositor, Na Rua, na Chuva na Fazenda, aconteceu em 1973.
A inspiração para esta música, que atingiu os primeiros lugares nas paradas, foi uma paixão à primeira vista: a adolescente Gioconda, então com 17 anos, moradora de Juiz de Fora (MG). Um amor complicado pela vida do artista, pela distância, mas alimentado por cartas poéticas que deixaram muitas lembranças, evocadas no documentário por Hyldon e a própria Gioconda.
Logo mais, em 1975, a leitura do alemão Arthur Schopenhauer levou Hyldon à composição de outro de seus grandes hits, As Dores do Mundo, título do livro homônimo do filósofo. Mais uma prova da grande versatilidade do cantor e compositor autodidata.
Valendo-se da disponibilidade de seu protagonista, o documentário de Felipe David Rodrigues e Emílio Domingos traça o perfil de um homem despojado, que preferiu não seguir os caminhos mais óbvios de uma carreira, ganhando fama de difícil nas gravadoras, entre outras coisas, por na época não sair em turnês. Esse rumo próprio tirou-o dos holofotes,embora ele nunca tenha deixado de compor e fazer shows. Acabou sendo redescoberto a partir dos anos 1990, quando suas composições foram regravadas por diversos artistas e apareceram na trilha sonora de filmes como Cidade de Deus, Carandiru, Durval Discos e o recente, ainda inédito, Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
No filme, diversos artistas dão depoimentos sobre sua importância, caso de Wanderléa, Sandra Sá, Arnaldo Antunes, Liniker, Seu Jorge e Mano Brown.
