A partir de um roteiro escrito, em sua primeira versão, em 2014, Consequências Paralelas, de Gabriel França e CD Vallada, investe num clima claustrofóbico para compor uma ficção científica tensa, embalada por viagens no tempo.
Um trio central de personagens conduz a trama: Bruna (Carol Macedo), em depressão depois da morte da mãe; Pedro (João Fenerich), seu marido; e Max (Felipe Hintze), um amigo íntimo do casal. Os três viajam até o sítio da família de Bruna, com a intenção de descansar num final de semana. Mas a intenção degenera num ambiente de tensão quando Bruna convence os dois homens a testar uma suposta máquina do tempo, deixada por sua mãe: trata-se de uma poltrona, dotada de dois controles.
Os diretores constroem uma atmosfera de tensão nesse huis clos, em que os três personagens se debatem, primeiro, com a decisão de testar ou não a máquina do tempo, depois, lidar com as consequências de suas sucessivas tentativas, levando a história a um clima policial.
Para isso, aposta-se na repetição das viagens de cada um dos personagens, que levam a efeitos diversos. Pedro, por exemplo, retorna do suposto deslocamento ao futuro com a disposição de matar Max por um alegado erro imperdoável, sem que este ou Bruna saibam do que se trata.
A dinâmica da história apóia-se nesse clima em que os personagens estão a um passo de matar-se uns aos outros, fugindo através do recurso ao deslocamento temporal na poltrona. A cada deslocamento, emergem mais detalhes dos segredos que esconderam uns dos outros, mudando inapelavelmente o presente e as relações entre eles.
É uma proposta ambiciosa e de difícil execução, que oscila nas mãos de dois diretores em sua primeira experiência, ainda que se possa elogiar a disposição de adentrar esse território temático, em cinema de gênero. No entanto, a repetição de alguns núcleos dramáticos não se sustenta adequadamente, soando um tanto artificial em alguns momentos.
