Tirar os filmes sobre adolescentes desta espécie de vala comum dos chavões é um desafio. Uma boa fórmula é adaptar um livro de sucesso. É o caso aqui, em que se parte do livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, que explora o difícil tema do luto nessa jovem fase da vida. A boa notícia desta adaptação, dirigida por Diego Freitas, é que o andamento do drama, com alguns toques de comédia e romance, funciona. Em alguns momentos, escapa até das limitações da fórmula, graças à autenticidade conseguida de seus intérpretes, especialmente as protagonistas Any Gabrielle e Giulia Be.
Elas são bem mais adultas do que suas personagens - Any tem 24 anos, Giulia, 27 - e são mais famosas por coisas que, a rigor, nada têm a ver com esta história. Any, como a dona da voz de Moana, a personagem do desenho da Disney, Giulia por ter se tornado recentemente uma Kennedy, casada com Conor Kennedy, filho do atual secretário da saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr. Mas o fato é que, na tela, elas convencem na pele de duas adolescentes à beira da idade adulta, que cresceram juntas e são melhores amigas, apesar das personalidades opostas; Gabi, tímida e estudiosa, Julia, extrovertida e aventureira. .
Alguns flashbacks dão conta dessa história de vida comum, em que elas são interpretadas por atrizes mirins, formando um contexto que vai se tornar relevante quando Julia (Giulia Be) morre num acidente de carro, deixando a amiga Gabi (Any) inconsolável, também por ser acusada como culpada por sua mãe (Regiane Alves), por tê-la encoberto numa saída.
Quando a amiga morre, compreensivelmente, Gabi se fecha mais do que nunca. Mas aí recebe uma série de cartas deixadas por Julia, com dez tarefas que deverá cumprir por ela, todas desafiando os limites que a amiga conhecia.
No cumprimento destas missões, o filme introduz outros elementos, como o humor, já que Gabi tem que pagar alguns micos, como aprender a dançar e cantar em público num karaokê. Também aí o filme incorpora alguns novos personagens, como o velho Toninho (Léo Jaime), colega de dança de Gabi, e os rapazes Lucas (Daniel Rangel) e Nico (Michel Joelsas), interesses amorosos da garota. O manual se completa por alguns conflitos com os pais, no caso de Gabi, a controladora Márcia (Sheron Menezzes) e o compreensivo André (Paulo Lessa). Todos esses detalhes, afinal, formam um quadro sólido para a personagem e tornam o filme bem menos maniqueísta do que se poderia esperar. Um resultado digno.
