O universo do dr. Seuss, como era conhecido o autor infantil estadunidense Theodor Seuss Geisel (1904-1991), rendeu inúmeras adaptações cinematográficas. A animação O Gatola da Cartola é mais uma delas, em torno do personagem de um gato mágico um bocado turbulento, cuja missão no mundo é divertir crianças tristes ou entediadas.
Funcionário mais problemático do Instituto da Imaginação e Inspiração Ilimitada, o gato é capaz de tirar literalmente da cartola todo tipo de objeto para fazer rir as crianças mais desanimadas. O problema é que, para isso, ele tem causado tumultos e destruição acima da conta e está na mira de um chefe louco para expulsá-lo de seus quadros. Para isso, cria uma armadilha para o gato, levando o felino a apoderar-se de um artefato proibido, que era mantido trancado e fora de circulação; o Volta-Atrás, um relógio mágico capaz de fazer o tempo voltar.
Quando Gatola cai no mundo, encarregado do desafio de divertir dois pré-adolescentes deprimidos por causa da mudança de casa num bairro distante, Gabby e Sebastian, o felino acaba deixando o Volta-Atrás cair numa das caixas trazidas pela família. É dentro delas que vão se travar as aventuras dos três, o gato e os garotos, acompanhados, em parte, pelo peixinho dourado de estimação de Sebastian. Um peixinho falante e bem mais dotado de capacidades do que parece à primeira vista.
Neste enredo, a procura do Volta-Atrás, que terá um adversário temível, torna-se o centro de uma história que se propõe a discutir o crescimento, os laços de família, a lealdade, a responsabilidade e muitas outras coisas. O problema é que a aventura é um tanto vertiginosa demais, conduzida por este Gatola incansável, que faria uma boa dupla com o Coelho Branco de Alice no País das Maravilhas, sempre correndo. Na tela, acontecem coisas demais, dificultando um pouco a ligação com os próprios personagens - fora o fato de que o universo do dr. Seuss nada tem a ver com as referências brasileiras. Por conta disso, a empatia e a adesão à história podem tornar-se um pouco mais difíceis, numa história não indicada a crianças muito pequenas.
Os personagens mais engraçadinhos são mesmo as Coisas que, mesmo sem falar, emitem sons e se manifestam com um gestual muito divertido.
