04/06/2026
Aventura

O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei

O hobbit Frodo finalmente chega à etapa final de sua jornada para levar o anel mágico à sua destruição. Mas, antes disso, a adrenalina ferve nas múltiplas peripécias que entravam o caminho de Frodo, sempre seguido pelo seu incansável escudeiro Sam.

post-ex_7

Por ser a conclusão, este terceiro e último capítulo da saga de Tolkien evoca sentimentos divididos. De um lado, o alívio de estar chegando ao fim a turbulenta aventura do hobbit Frodo (Elijah Wood) para levar à destruição o anel que provocou tantas desventuras na história de povos, reis e criaturas comuns que o tiveram em seu poder. Mas, antes disso, a adrenalina ferve nas múltiplas peripécias que entravam o caminho de Frodo, sempre seguido pelo seu incansável escudeiro Sam (Sean Astin), que aqui atinge finalmente a estatura de herói.

Mais do que os outros episódios - A Sociedade do Anel e As Duas Torres-, este capítulo final invoca a dualidade que está na base da natureza de todas as criaturas. O exemplo mais emblemático continua sendo Gollum, esplêndida criação digital desta trilogia, de quem se apresentará uma breve história de como ele se tornou o que é. Logo no início, o filme recorda como ele um dia foi Sméagol que, por ambição de apoderar-se do anel, mata seu próprio irmão, tornando-se gradativamente um ser degradado.

Depois deste prólogo que remete a Caim e Abel, a aventura prossegue, com Frodo e Sam confiando, por falta de opção, a Gollum a função de guia rumo à montanha de Mordor onde o hobbit eleito deverá lançá-la à destruição. Enquanto isso, os vários integrantes da antiga sociedade do anel, dispersos no segundo capítulo, gradativamente se reencontram, unindo forças para outra batalha fundamental, que visa salvar o reino de Gondor do ataque das forças do maligno Sauron.

Nesta batalha, reside um dos momentos em que a história de Tolkien põe mais o dedo na ferida, enfatizando a ambigüidade da ambição humana. Gondor, reino dos homens, está entregue ao governo do regente Denethor (John Noble) que, mesmo instado pelo mago Gandalf (Ian McKellen), não vê com bons olhos a entrega de seu poder a um futuro rei - que, por sua linhagem, é ninguém menos do que o valente Aragorn (Viggo Mortensen). A teimosia de Denethor não impede que Théoden (Bernard Hill) reúna generosamente seus cavaleiros de Rohan para vir em auxílio de Gondor, cuja capital está sendo cercada pelo mais formidável exército que as forças do mal podem congregar.

Tudo nesta gigantesca batalha é matéria-prima das melhores fábulas, dos maiores épicos, dos mais emocionantes faroestes. O heroísmo dos combatentes de Rohan, caminhando para a luta mesmo conscientes de sua dramática inferioridade numérica. A rebeldia da princesa de Rohan, Éowyn (Miranda Otto), misturando-se disfarçada aos demais soldados de seu reino, carregando na garupa o hobbit Merry (Dominic Monaghan), provando a estupidez da lógica machista de seus comandantes, que haviam excluído estes dois indispensáveis combatentes. A desesperada tentativa de Denethor de atear fogo a si mesmo e ao filho ferido, Faramir (David Wenham), um exemplo lapidar dos limites do desespero e da insensatez.

A impressionante chegada do exército fantasma ao campo de batalha, sob o comando de Aragorn, e a cavalgada do elfo Legolas (Orlando Bloom) no lombo de monstruosos elefantes inimigos estão, igualmente, entre as seqüências visualmente mais impressionantes deste capítulo. Entre as mais aflitivas, figura certamente a luta de Frodo contra a gigantesca aranha Laracna.

Um aspecto exemplar da saga de Tolkien está em saber cavar espaços para cultivar as diversas formas que pode assumir o heroísmo. Assim, serão heróis não apenas os tenazes combatentes que passam pelo fio da espada orcs incansáveis, como também os pequenos seres capazes de determinação, fidelidade e sacrifício, cujo maior exemplo é o hobbit Sam. Sem ele, com certeza Frodo não teria como desempenhar sua missão.

O altruísmo será personificado igualmente pela bela princesa elfa Arwen (Liv Tyler) - capaz de abrir mão da vida eterna para ficar com Aragorn, mesmo prevendo um futuro próximo onde ela não mais existirá. Neste último capítulo, mais do que nos outros, brilhará também a estrela das duas magníficas princesas desta saga tão despovoada de personagens femininas: Arwen e Éowyn, ambas personalidades fascinantes.

Peter Jackson, o diretor que dedicou sete anos de sua vida à adaptação da obra maior de Tolkien, tem motivos de sobra para comemorar. Com certeza, o cineasta fez justiça à magnitude da literatura, criando-lhe uma identidade cinematográfica que ficará na história - e que mudou drasticamente seu status como diretor. Quem diria que alguém que um dia cometeu Fome Animal (1992) seria capaz desta façanha.

post