O filme conta a história de dois casais de classe média alta, que vivem crises no casamento, agravadas pela aparição de dois personagens do passado. O primeiro casal é formado por Ana (Susana Zabaleta), uma mulher que sofre com a falta de atenção do marido, o intelectual e escritor Carlos (Victor Hugo Martín), que um dia recebem a visita de um amigo, Tomás (Demián Bichir, ator revelado ao mundo através de um papel de destaque na telenovela Nada Personal), que irá revolucionar o relacionamento dos dois.
O segundo casal mora no prédio em frente e é formado por Andréa (Cecília Suárez) e Miguel (Jorge Salinas). Ela é uma ex-modelo, que vive rodeada por posters e capas de revistas que a lembram do passado e a fazem esquecer da vida medíocre que leva ao lado do marido machão. Eles também recebem uma visita. A convidada é Maria (Mônica Dionne), uma ex-namorada de Miguel.
O elemento estrangeiro causa conflito e impõe a necessidade de reavaliação das relações até então existentes. O que causa situações engraçadas. A intenção é boa, mas Antonio Serrano constrói personagens com ares modernos e cosmopolitas, sem conseguir evitar os tradicionais ingredientes dos dramalhões famosos da televisão mexicana. E também peca na adaptação da peça teatral, trazendo para a película os excessos de interpretação no palco. Os atores gritam, gesticulam, exageram na atuação, como se estivessem num teatro com péssimas acústica e visão.
O diretor perdeu uma grande chance de discutir com profundidade as mudanças vividas pela geração que recebeu várias teorias da evolução comportamental, mas que não consegue colocá-las em prática, insistindo em viver como seus pais. Isto tudo dentro de uma estrutura de tragicomédia mexicana.
